Reforço em centros médicos visto como factor de combate à malária em tempo de Covid-19

Numa altura em que o mundo se debate com a pandemia do novo Coronavírus, alguns médicos versados em saúde pública são de opinião que o Governo se preocupe mais em capacitar humana e tecnicamente os postos e centros de saúde, ao invés de investir mais em grandes hospitais, a fim de se evitarem enchentes nestas unidades hospitalares classificadas como de referência

João Blasques, médico em saúde pública, disse, a OPAÍS, que a fragilidade dos serviços sanitários nas pequenas e médias instituições de saúde, inicialmente, vocacionados a atender os doentes, na comunidade, é que provocam romarias, que resultam em enchentes verificadas às portas de hospitais provinciais ou nacionais.

“Para se evitarem as enchentes, a rede primária tem de estar a funcionar. Fazer investimentos em unidades hospitalares altamente diferenciadas, neste momento, não faz sentido para o país”, reprovou o médico actualmente destacado na Clinica Sagrada Esperança-São Felipe, em Benguela, adiantando que os poucos fundos que se tem devem ser orientados para que a rede periférica como postos, centros e hospitais municipais funcionem.

O especialista acrescentou dizendo que essas estruturas de acesso, procura fácil e rápida dos cidadãos devem ter medicamentos, pessoal técnico ou enfermeiros e médicos qualificados porque, se as pessoas tiverem os serviços e cuidados que procuram, aí, não terão necessidades de recorrer aos hospitais gerais ou nacionais.

Para João Blasques, os doentes só deviam parar nesses grandes estabelecimentos de saúde em situações de emergência ou quando forem referenciados.

“O que se tem de fazer é preservar a capacidade de atender esses doentes. Não podemos deixar de ter as unidades sanitárias disponíveis para os atender porque, se não, o que vai acontecer é que as pessoas vão morrer por malária”, declarou o médico em saúde pública, argumentando que, quando tal acontece, os pacientes chegarão atrasados às áreas de tratamento.

“O que se tem de fazer é preservar a capacidade de atender esses doentes. Não podemos deixar de ter as unidades sanitárias disponíveis para os atender porque, se não, o que vai acontecer é que as pessoas vão morrer por malária”, declarou o médico em saúde pública, argumentando que, quando tal acontece, os pacientes chegarão atrasados às áreas de tratamento.

Defendeu igualmente que se reforce a capacidade de atenção ao nível comunitário com os agentes sanitários, para permitir que estes possam fazer o tratamento com artesonato rectal. Um meio de combate à malária que, segundo ele, já está recomendado, existe e está no país a fim de evitar que situações em que graves e em que os pacientes cheguem neste estado aos hospitais.

Essas duas medidas ajudam a diminuir o risco de mortalidade por malária, a par de todos os outros mecanismos, como a prevenção de utilização de redes mosquiteiras, redução dos criadores de mosquitos que devem manter-se, mesmo em situação da Covid-19, soube O PAÍS do seu interlocutor.

Malária em alta

Ele encoraja as pessoas a admitirem que a situação da Covid- 19 quase se tornou a rotina cidadãos e a focarem-se no facto de a mortalidade por malária continuar elevada. Por esta razão, reiterou a necessidade de as nossas unidades sanitárias estarem abertas e disponíveis para prestar atenção.

Preocupado com as mulheres e as crianças, exortou as progenitoras a não deixarem de ir aos estabelecimentos hospitalares, devendo, por isso, proteger-se, colocar máscaras, lavar as mãos com água e sabão e manter o distanciamento físico, sem deixarem de marcar presença, quando há febres.

O médico, que insiste na necessidade de se fazer sempre tratamento, alegou que sem esse procedimento é difícil perceber se se trata de uma malária e esta continua a matar. “Essa é uma situação que remete as mulheres concebidas a continuarem a ir às consultas, de maneira que tenham toda atenção, para que mereçam esse tratamento intermitente preventivo que reduz o risco de terem malária que as pode matar e matar os seus bebés”, rematou.

Finalmente, considerou que a aposta contínua de cuidados e a medicina preventiva, sobretudo com a utilização de redes mosquiteiras e a redução de criadores de mosquitos estão ligadas. Sucedendo o mesmo com o tratamento precoce, ao nível da comunidade dos casos graves de malária com artesonato rectal, particularmente em crianças, o que constitui também um tratamento preventivo com o chamado tratamento intermitente das grávidas.

Saúde preventiva, o caminho

Debruçando-se sobre as medidas de combate à malária em tempo da Covid-19, o também investigador de saúde comunitária disse que o modelo de tratamento que se segue, hoje, já não é o mais adequado, porque demora em consolidar a saúde preventiva.

Para sustentar as suas alegações, referiu que, nesta altura em que Angola se debate com a pandemia, as pessoas criaram um medo de ir aos hospitais.

“E, embora os vejamos cheios, a necessidade de estar aí, por parte dos cidadãos não descarta o medo e a pressa de serem atendidos e regressarem às suas casas. Há muita ansiedade e, consequentemente, depressão que leva que o sistema imunitário esteja deficitário, provocando o surgimento de outras doenças tidas como oportunistas.

Recorreu ao tratamento que se dá à Covid-19, para lembrar que essa pandemia tem efeito sobre o aparelho respiratório, tendo acrescentado que, modifica, neste, o tecido muscular em fibras musculares, sendo que estas não permitem que ocorra o processo de trocas gasosas, classificada como hematose, porque a fibra não é especializada para esse fim.

“Como o tecido muscular do pulmão está modificado, surgem as deficiências respiratórias. A pulverização dos pulmões é necessária, porque quanto mais oxigénio tiver, melhor, mas as técnicas não são eficazes, por causa do processo de incubação”, detalhou o técnico de saúde, acrescentando que isso tem efeitos colaterais.

Apontou as roturas das vias respiratórias e o surgimento de alergias inflamatórias, ao nível dos pulmões. Por isso, aconselha a seguir a melhor forma que tem a ver com os chás, sobretudo os de folhas de eucalípto e camomila, conhecido em algumas regiões como “xandala”, pelo facto de pulverizar melhor os pulmões do que a oxigenação que se dá. “Mas, infelizmente, são os chás que parecem não estar recomendados formalmente”, lamentou.

Voltando à problemática do paludismo, Samwa Kalunga encoraja as autoridades da saúde do país a valorizarem mais a medicina natural e facilitar o andamento, em conjunto, com a moderna ou convencional.

O entrevistado recomenda ainda redobrarem-se as medidas de combate à malária, já que esta doença também atinge negativamente os sistemas imunitário e circulatório.

“Quem fala do sistema circulatório, quer queira, quer não, vai desembocar no sistema nervoso. O sistema imunitário (glóbulos brancos) vai defender o organismo dos patógenos ou invasores e o circulatório, no seu todo, através dos glóbulos vermelhos, vai transportar o oxigénio para todas as células do organismo”, esclareceu Samwa Kalunga, adiantando que, no caso de esse transporte não ocorrer, o sistema nervoso entra em crise.

Por essa e outras razões, o técnico de saúde, reiterou que a atenção que os líderes da saúde em Angola devem ter com o paludismo também poderá ser determinante para a redução ou contenção da propagação da Covid-19.

“Tratamento à malária não mudou”

Na tentativa de contactar os gestores de hospitais de grande referência da capital, como são os casos do Josina Machel, Américo Boavida, Geral de Luanda, do Capalanga e dos Cajueiros, apenas com o director- geral desta última unidade de saúde foi possível falar sobre as medidas actuais de luta contra a malária.

“A forma de tratamento da malária não mudou absolutamente nada. Nós continuamos a fazer, no hospital, as mesmas coisas que sempre fizemos. As autoridades sanitárias da comunidade é que têm mais a dizer e fazer sobre as necessidades que se impõem”, disse Armando João.

Essa posição do director do hospital dos Cajueiros, município do Cazenga, em Luanda, se alinha com as alegações sustentadas pelo médico de saúde pública, João Basques, que defende mais investimento para as instituições de saúde comunitárias.

Mosquito dá vírus Zica que trava câncer

Assinala-se, hoje, 20 de Agosto, o Dia Internacional de Mosquito. O insecto é normalmente encarado como o causador da malária.

Mas, por uma questão de justiça, como fez questão de referir o técnico de saúde Samwa Kalunga, não é de todo mal ver algum lado bom que o mosquito proporciona aos seres vivos.

“O vírus Zica proveniente do mosquito é contra câncer, porque neutraliza o efeito das células cancerígenas”, explicou, acrescentando que se trata do mesmo insecto (fémea) que transmite a malária e a dengue.

Recordou que o mosquito portador das doenças referenciadas integra ainda a cadeia alimentar de outros animais como a lagartixa caseira.

Embora tenha deixado a abordagem para os especialistas do ramo da Zoologia, Samwa Kalunga cogitou que, quando um animal serve de alimento para outros, o seu desaparecimento total pode ter alguma consequência no meio ambiente.

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