Um mal a abater

O combate à corrupção voltou a ser matéria de análise por parte de figuras da Igreja Católica. Depois de mais uma declaração da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), o arcebispo de Saurimo, Dom Manuel Imbamba voltou a reiterar a necessidade de se estancar este mal, que é o principal cavalo de batalha na governação do actual Presidente: João Lourenço.

É quase que impossível abordar o assunto sem se fazer um recuo, sobretudo àquela fase em que o então Presidente José Eduardo dos Santos dizia que, depois da guerra, o segundo mal no país era a corrupção.

Na época, apesar da razão de que se fazia acompanhar, os argumentos do antigo chefe de Estado não se fizeram acompanhar dos mecanismos necessários para atenuar a situação. Por exemplo, a instituição de uma Alta Autoridade Contra a Corrupção nunca saiu do papel, provocando celeumas e debates acirrados entre organizações da sociedade civil intervenientes, na época, e os partidos da oposição.

Com o andar do tempo, finda a guerra, a corrupção tornou-se mesmo o primeiro mal. As suas consequências continuam visíveis até aos nossos dias, havendo ainda figuras, até mesmo de proa, que não se conseguem desfazer de um certo modus operandi.

Tal como diz Dom Imbamba, a corrupção tornou-se mesmo uma forma de viver de muitos angolanos. Tanto ao nível da dita pequena, onde subjaz a famosa gasosa, quanto na grande corrupção, feita a uma eecala mais elevada com comissões, benefícios e esquemas que ainda sustentam a vida faustuosa de alguns príncipes locais. Ela deverá levar algum tempo para ser combatida, mesmo se sabendo que não será na sua plenitude, como sustenta o arcebispo. Até porque não existirá país no mundo que tenha conseguido tal proeza, nem mesmo naqueles em que a forca, injecção letal ou fuzilamento foram usados como mecanismos de dissuasão.

Demore o tempo que tiver que demorar, o importante é que não se baixe a guarda. Os passos dados nos últimos três anos não devem esmorecer, sob pena de minarmos a incipiente credibilidade alcançada ao nível de determinadas instituições internacionais.

Antigamente, sempre que se estivesse na véspera do lançamento de um relatório da Global Witness, Human Rigth Watch e outras instituições internacionais já se sabia para que lado iria pender a balança em relação a Angola.

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