V Edição do FestNeto-Cunene-2020 preparada ao detalhe

Para garantir o sucesso do evento, a organização trabalha na criação de condições de biossegurança e higienização para a sua equipa e demais membros, assim como convidados nos diferentes municípios da província do Cunene que acolherão a festa, cumprindo assim as recomendações sanitárias, orientadas pela Comissão Multissectorial de combate a Covid - 19

A V Edição do FestNeto-Cunene- 2020, a decorrer na Primeira Quinzena do mês de Setembro, sob o lema “O Poeta A Caminho Do Centenário”, está a ser preparada ao pormenor, e desta vez com alguma alteração no formato habitual, devido a pandemia da Covid – 19. O festival contemplando um leque diversificado de atracções, além das habituais sessões de leitura, do lançamento e assinatura de livros, inclui recitais de poesia, música, artes cénicas, oferta e distribuição de material sobre A vida e Obra do DR. António Agostinho Neto, entre outras manifestações culturais.

Para garantir o sucesso do evento, o coordenador do evento, Hamilton Venokanya, garantiu, que a organização já está a trabalhar na criação de condições de biossegurança e higienização para a sua equipa e convidados nos diferentes municípios da província do Cunene que acolherão a festa, cumprindo assim as recomendações sanitárias, orientadas pela Comissão Multissectorial de combate a Covid – 19 “Quanto aos materiais de biossegurança e higienização, estão assegurados quer para a comitiva que fará a digressão aos diferentes municípios da província, assim como para os convidados e participantes”, disse.

Não obstante a complexidade da situação, ao contrário das anteriores edições, a organização pretende este ano, tornar o festival mais abrangente, levando-o às comunidades com diversos atractivos culturais, tais como, oferta de materiais sobre A Vida e Obra do Dr. António Agostinho Neto, fornecido pela Fundação Dr. António Agostinho Neto, e por uma questão de ética filosófica, reserva-se a não adiantar outras pormenores relacionados à digressão da equipa aos municípios. “Para que seja um festival mais participativo, em função da situação actual, entendemos ser fundamental ir ao encontro das comunidades.

Iremos ao campo”, disse Hamilton Venokanya, acrescentando que diante desta situação, não deixarão que a data do Poeta Maior e Fundador da Nação passe despercebida, no ano em que Angola completa 45 anos de Independência. “A presente edição, adivinha-se ser a mais complexa, em relação às anteriores, tendo em conta o momento delicado que a Angola atravessa, face a pandemia da Covid-19, mas não deixaremos que a data passe despercebida, no ano em Angola completa mais um aniversário da sua Independência.

O patrono Médico, António Agostinho Neto, nasceu a 17 de Setembro de 1922, na aldeia de Kaxicane, região de Icolo e Bengo, a cerca de 60 km de Luanda, e faleceu em 1979, na Rússia, ex-União Soviética. Foi o primeiro presidente da República de Angola. Era médico de profissão, poeta e escritor por vocação e um líder por natureza. O seu pai era pastor e professor da Igreja Metodista e, a sua mãe, igualmente professora. Após ter concluído o curso liceal em Luanda, trabalhou nos serviços de saúde e viria a tornar-se rapidamente uma figura proeminente do movimento cultural nacionalista que, durante os anos quarenta, conheceu uma fase de vigorosa expansão em Angola.

Decidido a formar-se em Medicina, embarca para Portugal em 1947 e matricula-se na Faculdade de Medicina de Coimbra, e posteriormente na de Lisboa. Dois anos depois da sua chegada à Portugal, foi-lhe concedida uma bolsa de estudos pelos Metodistas Americanos. Envolve-se desde muito cedo em actividades políticas sendo preso em 1951, quando reunia assinaturas para a Conferência Mundial da Paz em Estocolmo. Após a sua libertação, retoma as actividades politicas e torna-se representante da Juventude das colónias portuguesas junto do Movimento da Juventude Portuguesa, o MUD juvenil. E foi no decurso de um comício de estudantes a que assistiam operários e camponeses que a PIDE o prendeu pela segunda vez, em Fevereiro de 1955 só vindo a ser posto em liberdade em Junho de 1957.

Por altura da sua prisão em 1955 veio ao lume um opúsculo com poemas seus, que denunciavam as amargas condições de vida do Povo angolano. A sua prisão desencadeou uma vaga de protestos em grande escala. Realizaram-se encontros; escreveram- se cartas e enviaramse petições assinadas por intelectuais franceses de primeiro plano, como Jean-Paul Sart, André Mauriac, Aragon e Simone de Beauvoir, pelo poeta cubano Nicolás Gullén e pelo pintor mexicano Diogo Rivera, e em 1957, Agostinho Neto, foi eleito Prisioneiro Político do Ano pela Amnistia Internacional.

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