Moradores do imóvel onde foi detectado o primeiro caso de Covid-19, no Lubango, sofrem agressões

Os cidadãos que residem na casa que acolheu a cidadã que foi diagnosticada como portadora do novo Coronavírus na cidade do Lubango, província da Huíla, estão a sofrer agressões da parte de alguns vizinhos

Tudo aconteceu na noite de Terça-feira, quando os moradores, que partilham o quintal com outras famílias, no bairro Comercial, arredores da cidade do Lubango, foram surpreendidos com arremesso de pedras na por ta principal e no tecto.

Manuel Gregório, um dos membros da família, culpa as autoridades sanitárias locais por, alegadamente, não terem criado as condições de segurança na sua residência, depois de publicamente terem anunciado que era “fonte da doença” nesta província.

O interlocutor de OPAÍS disse que o pior só não aconteceu por milagre de Deus, já que as pedras arremessadas contra a sua residência deixaram marcas de destruição.

Manuel Gregório questiona a veracidade do resultado das amostras colhidas nos primeiros contactos directos da senhora, a portadora do vírus SARS-COV-2, que viajou de Luanda para a Huila, onde participou numa cerimónia fúnebre, uma vez que não se decretou cerca sanitária ao imóvel.

“Se por acaso houvesse um caso positivo nos contactos da senhora aqui, este local estaria sob cerca sanitária. Eu teria sido morto dentro desta casa a pedradas”, frisou. Acrescentou que “tive a coragem de sair para ver quem estava a atirar pedras às 23 horas na porta, na parede e no tecto tudo porque a direcção da Saúde Pública falhou”.

No seu ponto de vista, a falha reside no facto de não ter deixado a zona sob vigilância policial depois da exposição pública de que a sua residência foi alvo.

Entretanto, segundo apurou OPAÍS, esta família só voltou a sentir- se segura em função da presença de alguns agentes da Polícia Nacional que, desde a noite de Quarta- feira, têm prestado uma atenção especial à residência. “Foi a primeira noite ter cá alguém, se não todos estes dias estávamos entregues à sorte”, desabafou.

Em relação ao segundo caso, também na cidade do Lubango, e no mesmo quintal, Manuel Gregório disse que o mesmo está cheio de incongruências, já que este reporta um menino que não faz parte dos contactos do primeiro caso.

POR: João Katombela, na Huíla

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