Caos económico, seguidismo chinês e a reconfiguração da geopolítica internacional

Ore apareci mento da China no teatro da política política mundial fez claudicar qualquer tentativa do Ocidente emprestar uma nova geopolítica. Uma vez mais, os principais focos de tensão deixaram de ser relegados para os ortodoxos e tradicionais conflitos como terrorismo, nacionalismo, migrações esquerda, direita e populismo.

A pandemia do Covid-19 “colocou em xeque-mate” o grande tabuleiro de xadrez da geopolítica do Ocidente e da tão propalada cadeia da arquitectura do pensamento filosófico e científico da era hodierna.

De repente tudo mudou, os pontos cardinais não mais convergem, cada hora era mais lenta, os ventos e as bússolas deixaram de emitir sinais, as pessoas sentiram-se esquizofrénicas, alertas chegam de todos os pontos, o som das ambulâncias torna enxurdado o mundo, as grandes instituições tornaram-se incrústicas, não podendo ripostar aos desafios que se colocam à segurança Global.

Socialmente instaurou-se o paradigma do caos, que coloca novas incertezas para a política e a economia moderna, levadas à beira de colapsos sucessivos, relegando os Estados e as famílias para níveis de pobrezas e desigualdades nunca antes vistos, falências de instituições, desemprego em massa, fome e miséria, crises psicológicas em alta e dúvidas e incertezas do amanhã.

No entanto, a humanidade entrou em desespero total e parece não conseguir ripostar com maior velocidade, não obstante a revolução Cognitiva operada a 70 mil anos descritas pelo professor e historiador ”Yuval Harari”, como centro gravitacional do desenvolvimento humano.

Caos económico

A pandemia do Covid-19 encontrou bem acentuada as ruínas da crise económica do Outono de 2008, legada pelo Banco Lehman Brother, que contraiu um empréstimo de 35 vezes mais do que devia, ou seja, viu-se um silêncio total dos mecanismos de controlo da lei financeira-económica, a crise grega e a queda do euro, que parecia um triller financeiro.

Por um lado, a ordem económica dos Estados são subvertidas pelas grandes instituições como o Banco Mundial, o First Bank of Boston, FMI e o Goldman Sach., Por outro, assiste-se ondas de despedimentos sem precedências das grandes empresas como a Boeing, Rolls Royce, que despediu 9 mil funcionários, obrigando os governos europeus a busca de um plano alternativo de 500 milhões de euros para salvar a economia e colocando os grandes investidores num paradoxo.

Esse momento emprestou para as grandes instituições financeiras oportunidades nunca antes tidas, para decretar falências com elevadíssimas perdas do potencial económico, muitas vezes descritas como “idade das trevas da macroeconomia”.

Os bancos assombraram os sistemas financeiros, o economista Ladislau Dowbor alerta que os bancos tendem a confundir entre a aplicação financeira e investimento na produção. Ou seja, actualmente as pessoas fazem uma aplicação financeira que não aumenta em nada na economia do país, o que sente-se sobretudo na falta de produção.

Seguidismo chinês

Após a crise asiática de 1997, fundiram-se as análises prospectivas da China tornarse num centro dos maiores acontecimentos mundial. O que é certo, em 2005, os radares da economia mundial detectaram uma ultrapassagem significativa, a China tornouse o maior consumidor de produtos industriais e agrícolas, colocando os Estados Unidos em segundo lugar.

O nascimento de um bebé com 3,66 quilos relega a população chinesa igual a demografia da Europa somada à dos Estados Unidos, multiplicada por dois, o número de chineses com acesso à internet atinge 134 milhões e ultrapassa a dos Estados Unidos.

O boom chinês agora é que dita os ritmos e as regras do sistema em que vivemos. A geopolítica chinesa tornou-se o ponto de atracção do sistema internacional, parece o ponto certo para ajuda dos Estados do Terceiro mundo e repertório dos grandes negócios do empresariado mundial.

Em 2003, a China situa-se em primeiro lugar, com 53 mil milhões em investimento estrangeiro, ou seja, titulada de nova América. Alibaba.com é a página virtual na qual 7 milhões de importadores de duzentos países do mundo encontram e fazem diariamente negócio numa cifra de 2 milhões de empresas chinesas.

A China possuiu uma força de trabalho urbano avaliada em 520 milhões de pessoas. Em 2004, a China torna-se um ponto forte do exporte mundial, a “formula 1” a corrida de automóvel mais importante da história estreia-se em território chinês, os grandes da Indústria mundial apostam no mercado chinês, Volkswagen, General Motors, Toyota, Peugeot e Ford fazem-se presentes com instalações com uma capacidade de produção de 6 milhões de viatura por ano.

No mesmo ano, no que concerne à disputas de matemáticas, os americanos e italianos colocam-se atrás dos estudantes chineses, obrigando as autoridades académicas dos EUA a importação dos programas de estudo e os métodos de ensino da China.

Reconfiguração da geopolítica internacional A globalização e a velocidade do dinheiro electrónico convertem-se em auto-estrada da expansão da ‘chinismo’, que agora converte-se numa ameaça sem paralelo para o Ocidente.

A ascensão da China corrói o sistema internacional, provocando quantidades elevadas de dispersão de poder. A nova arquitectura da política mundial leva a questionar os serviços de inteligências arcaicos e procura fazer do século XX “o século esquecido”, elevando o debate acerca do realismo ofensivo.

 O cientista político Miguel Bembe elenca que uma das principais embaraçantes novidades é que está definitivamente em crise o princípio firmado em Vestifália de 1648, com isso acredito piamente no fraccionamento do direito internacional, arquitectado sob a égide da civilização Germânico-Romana.

 A China quebrou os antigos focos do poder tradicional entre América e Rússia, portanto, a sua irreversibilidade levará, sem sombra de dúvida, a uma alternância do poder, numa ordem por onde deverá repousar a nova geopolítica.

O equilíbrio de poder escalpelizada pela Real Politik parece não vingar, uma vez que o aumento das desconfianças a nível do sistema internacional, da ética diplomática e da segurança internacional projecta as instituições estatais para um terrorismo de Estado.

 

Osvaldo Isata

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