Carta do leitor: A sorte do Artur

Por: Mário P. Santamaria
Benguela

Votos de bom trabalho, Senhor director! As eleições sejam para a presidência dos países ou organizações sociais e políticas têm momentos sui generis. Não quero aqui, caro director, escrever sobre as autárquicas ou legislativas.

O que tenho visto nos últimos tempos são as correrias para as federações desportivas, com particular destaque para a de futebol. É a federação com o maior número de concorrentes.

A maioria são antigos colaboradores de Artur de Almeida, facto que não deixa de aguçar ainda mais o apetite em relação ao futuro da agremiação.

Não foi necessário a corrida aquecer para se notar que o actual presidente, quer se queira quer não, deverá estar em vantagem em relação aos seus opositores directos.

Primeiro, conseguiu dinheiro para pagar todos os prémios em atraso, depois surgiu das mãos da FIFA o dinheiro que está a ser distribuído numa fase em que os adversários se preocupam em gizar e apresentar os seus programas.

Não se pode falar em compra de votos, por ser uma posição muito forte, mas há coincidências que favorecem candidatos. Claro que para Artur de Almeida não poderia ter ocorrido coisa melhor.

Nesta fase, mesmo que se faça algum esforço, os clubes e as associações dificilmente poderão dissociar esta distribuição generosa de uma campanha a seu favor.

É verdade que o dinheiro tinha que ser dado por aquele que supostamente conseguiu junto da FIFA. Só que o momento em que se aplica não é o ideal.

Não tenho nada contra o actual presidente da FAF. Sou daqueles que sempre achou que merecia dirigir a federação, mas há momentos em que se deve separar as águas.

Faz lembras os políticos que distribuem comida para receberem votos. A comissão eleitoral, se é que já foi formada, deve estar atenta a estes pormenores. A verdade desportiva deve ser uma constante. E não apenas quando convém a determinados indivíduos.

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