Economista chama “retrógrado” modelo de formação da taxa de câmbio seguido por Angola no pós-independência

José Cerqueira defende em livro que a causa da alta taxa de inflação em Angola é “o funcionamento desordenado do mecanismo retrógrado de formação da taxa de câmbio da moeda”

Economista José Cerqueira

Os argumentos do economista vêm expresso em livro editado online, intitulado “Os dois Métodos da Salvação Económica de Angola”, uma obra dividida em quatro capítulos discorridos por mais de 90 páginas.

Cerqueira defende que, nos últimos anos, a economia de Angola, na qualidade de exportadora de “ouro preto”, com peso significativo entre os países da OPEP, “foi empurrada para a Grande Recessão, desde o dia próximo da conclusão do primeiro semestre de 2014, no qual o preço do barril do petróleo iniciou uma queda vertiginosa de 65%, concluída em menos de uma semana”.

 O autor adverte que as ideias expressas no seu livro poderão ser uma surpresa intelectual para os leitores, pois “a descoberta de ser no relacionamento entre Angola e o resto do mundo, consistente no mecanismo retrógrado da taxa de câmbio da moeda angolana, onde se encontram as causas da inflação e, em cadeia de transmissão, do insuficiente crescimento económico (…) contraria as opiniões dos economistas africanistas, segundo as quais o fraco desempenho da economia angolana seria consequência de insuficiências interiores”.

Entretanto, o autor mostra que nem tudo é uma mancha cinzenta no futuro do país e insere no seu mais novo rebento académico argumentos que o mesmo designa por “boas notícias”.

“A boa notícia a este respeito é que a procura internacional por petróleo virá a retomar o nível normal de longo prazo, poucas semanas a seguir ao final da recessão profilática actual em todo mundo, o que facilitará a salvação, finalmente, da economia angolana, segundo linhas de força indicadas neste livro”, escreve.

Abstendo-se da função de adivinho, o economista recusa “prever a taxa anual de crescimento da economia angolana no longo prazo”, mas arrisca afirmar que “para a ponta final” do contexto em que o país vive e com recurso à ciência, a economia angolana poderá iniciar uma marcha radiosa.

 O autor segue a lógica do ditado “depois da tempestade vem a bonança” e afirma que a seguir aos dias difíceis a que designa por matanças “ocorrerá o fenómeno maravilhoso, semelhante a um milagre, da elevação, muito significativa, quase instantânea e irreversível, do poder de compra dos consumidores angolanos, e logo de seguida iniciará, finalmente, o futuro radiante do crescimento vigoroso (…) ao longo do século XXI, graças às estabilidades dos respectivos preços e taxa de câmbio”.

Revela que para a produção desta nova obra, inspira-se em duas fontes que conserva desde os tempos de formação universitária. “Nós inspiramo-nos, tanto na letra, quanto no espírito, do livro principal de John Maynard Keynes (JMK) e inspiramo-nos apenas na letra do livro precedente. O espírito de uma grande obra científica é as novas descobertas teóricas, que podem ser deduzidas a partir dos conhecimentos fundamentais estabelecidos na respectiva letra.

O livro principal de JMK e o respectivo livro precedente são, ambos, grandes obras científicas, mas a mais importante, do nosso humilde ponto de vista, consiste, naturalmente, no livro referido em primeiro lugar, pois é problemático deduzir novas descobertas a partir dos ensinamentos do livro referido em segundo lugar, já que JMK cometeu, na sua redacção o erro segundo o qual nas conjunturas de inflação o investimento superioriza a poupança e nas conjunturas de deflação o investimento inferioriza a poupança”.

Sobre o autor

De leitura fácil e sagaz, a obra “Os dois Métodos da Salvação Económica de Angola” é o último contributo à ciência económica de um especialista conhecido do público. Em nota, o editor da obra, refere-se a ele como “economista sobejamente conhecido em Angola”.

 José Cerqueira é filho do Cuanza Norte, província onde nasceu há 66 anos. “Tudo começou em 1976, ano em que terminou os estudos de economista na Universidade do Porto. Dos tempos de estudante guardou a lembrança de Francisco de Moura, da Universidade de Lisboa, o economista português cujos livros mais atraíram a sua atenção de adolescente”, relembra o editor na narração a guisa de apresentação do autor.

A caminhada do economista prossegue no ano de 1981, quando candidata-se, com sucesso, a uma bolsa de estudos do Governo angolano para fazer o seu doutoramento na Universidade de Borgonha, etapa concluída com sucesso apenas em 1996, quando defende a sua tese de doutoramento, depois de uma interrupção por razões familiares.

A obra mais completa do autor poderá constar da biblioteca do grande público até 2022, altura para a qual esta prometida a publicação dos seus argumentos de razão em quatro volumes, cujas redacções estão actualmente a ser revistas pelo mesmo.

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