Kimbemba…

Quando o meu amigo Sílvio lançou o grito que se tornou marca registada nas lides de comunicação via rádio, em 2005, para promover a sua empresa de segurança, poucos e se calhar a maioria não o terá (levado) a sério.

 Mas, afinal, o outrora jovem e empreendedor, hoje, com mais de meio século de cacimbos vividos, não para de surpreender e de evoluir, para além da hotelaria, vai expandindo-se para o ramo farmacêutico. AfraLuli já não chama o Kimbemba, mas as telecomunicações e/ou as comunicações em Angola evoluíram.

O país mudou, os actores políticos, sociais mudaram e poucos são os da velha guarda no activo. Os heróis regressaram para casa, a viúva se conformou, o comandante reformou e a vida continua. Assim como a dimensão territorial do nosso país que, no passado aliciava os abutres, continua inerte e com alguns postos mal guarnecidos.

Não por falta de vontade dos homens, mas tão-somente porque segundo os nossos experts em política, economia, finanças e mais não sei. A guerra já terminou, defesa e segurança do país não são prioridades.

 Engana-se quem assim pensa. O Presidente João Lourenço enquanto Comandante-em-Chefe das Forças Armadas Angolanas, afirmara o propósito do Governo angolano, no quadro do Programa de Reestruturação das FAA em continuar a apetrechá-las com meios técnicos e equipamentos modernos que lhes permitam manter a sua permanente prontidão operacional, não obstante, as limitações com que o país se debate em consequência de factores sobejamente conhecidos.

Defesa produz paz e segurança. Segurança produz informação, produz ordem pública. Ordem pública produz tranquilidade. Tranquilidade permite boa governação. Boa governação resolve os problemas da população.

Com os problemas da população resolvidos, há estabilidade. E com estabilidade o país prospera. É óbvio que em tempos de paz, o papel das Forças Armadas de um país é servir à sociedade na promoção da sua segurança e bem-estar, além de representar um importante instrumento de promoção da diplomacia e da solidariedade nas relações com a comunidade internacional.

Ao mesmo tempo, as Forças Armadas são instituições complexas, que congrega um número considerável de pessoas que desenvolvem actividades específicas, com condutas e leis próprias e pontos de presença espalhados por todo o país e também no exterior.

 As Forças Armadas Angolanas, como não seria diferente acarretam custos à economia pelo facto de ser onerosa a sua manutenção face ao número de recursos humanos que contempla, acrescidos os encargos com a assistência médica e medicamentosa, vencimentos dos militares e salários dos funcionários civis, logística, assistência do armamento e da técnica, e não só.

Essas características e as demais não mencionadas, fazem das Forças Armadas um universo muito particular.

Para ser devidamente percebida pela população como instituição moderna, eficiente e comprometida com a manutenção da paz e com o desenvolvimento do país, as Forças Armadas Angolanas, mesmo o Kimbemba não chamar por AfraLuli, necessitam de estratégias de comunicação específicas, que devem ser desenvolvidas por meio de acções bem planeadas.

As informações postas a circular nas redes sociais, que tendem desvirtuar a real missão das Forças Armadas Angolanas, não devem ser acolhidas muito menos disseminadas, pois perseguem caminhos inconfessos e tendem pôr em causa a coesão e camaradagem entre os militares e criar um clima tendente a manchar o prestígio e bom nome desta organização castrense.

 Para isso, apela-se a uma coesão e disciplina, apesar dos desafios imprevisíveis da conjuntura interna, mas certos de que, o militar das FAA deve ser perseverante, na busca de soluções para superação dos inúmeros problemas do dia a dia, não deve pactuar e nem pertencer a grupos de mal feitores, dos que cometem crimes.

Não esquecendo o que se passa noutras latitudes, porquanto, a Globalização levou também ao aumento da interdependência dos sistemas de produção, distribuição e das suas infraestruturas, bem como à centralização e concentração de sistemas críticos.

Como tal, uma situação crítica que afecte um dos pontos de confluência de um tal sistema poderá afectar o todo e ter um impacto com efeito de cascata em larga escala.

A pandemia da nova Covid-19 fala por sim, e tal como as notícias que davam estampa de que o DAESH lançou uma ofensiva e tomou de assalto o quartel da marinha em Macimboa-Moçambique, devem, sim, preocupar o nosso país como membro da SADC, pois como consagra o relatório de Gestão Estratégica de Crises de 2012 da OCDE, a elevada mobilidade no mundo global facilita a difusão dos portadores ou dos vectores de risco, como vírus ou terrorismo.

Contudo, nunca é demais repetir que, o alcance do bem-estar social para todos os angolanos vai levar mais algum tempo, necessita de mais sacrifícios, elevado grau de patriotismo, disciplina, organização, trabalho, vigilância, em que cada um deve fazer a sua parte.

Alberto Kizua

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