MCTA promoveu I seminário sobre processo de inscrição e classificação dos bens a Património Mundial da UNESCO

MCTA promoveu I seminário sobre processo de inscrição e classificação dos bens a Património Mundial da UNESCO

A acção formativa está repartida em três sessões, sendo uma por semana, com o recurso a videoconferência, e visa capacitar os responsáveis, e técnicos dos diferentes órgãos do Executivo que concorrem para a protecção, elaboração, e gestão do Património Cultural, em especial das províncias com sítios inscritos na lista indicativa do Património Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura – UNESCO.

O evento foi presidido pela secretária de Estado para a Cultura, Maria da Piedade de Jesus e contou com a presença dos secretários de Estado para o Turismo, Hélder Marcelino e para o Ambiente, Paula Francisco.

A secretária de Estado para a Cultura abordou, no tema introdutório, o Processo de Inscrição de Bens a Património da Humanidade, tendo enfatizado o facto de a Convenção ter sido adoptada em 1972 e Angola apenas ratificou 20 anos depois, isto é, em 1992.

 Entretanto, a inscrição do primeiro bem ocorreu em 2017, nomeadamente o Centro Histórico de Mbanza Kongo. A formação contou com a participação de 50 participantes, via online, de diferentes províncias, entre governantes, directores provinciais e técnicos dos distintos organismos provinciais.

Os bens

Angola conta inscrever na lista de Património da UNESCO as pinturas rupestres do Namibe, de Tchitundu-Hulu, o corredor do Kwanza, que está ligado ao roteiro da escravatura, e a cidade do Cuito Cuanavale, que é um símbolo e uma referência da paz, do diálogo e da reconciliação nacional.

Localizadas no município do Virei, província do Namibe, no Sul do país, as 2.000 gravuras e 250 pinturas rupestres de Tchitundu-Hulu integram uma das mais importantes áreas do género, em África, e já integravam o conjunto de bens da lista indicativa de Angola a património da UNESCO.

Em 1996, justificando a decisão com o testemunho material e imaterial da vida social, económica e espiritual das antigas comunidades que se terão fixado naquele espaço e autores das pinturas e das gravuras, a Estação deerte rupestre de Tchitundu-Hulu foi classificada pelo Ministério da Cultura com o título de Património Histórico-Cultural.

Paralelamente, o Executivo angolano defendeu, em 2016, a necessidade de “conservar e valorizar”, turisticamente, as marcas físicas do passado colonial português, nomeadamente no corredor do rio Kwanza, que o país pretende candidatar a património da UNESCO, destacando a oposição que aquela região do país demonstrou ao colonialismo português ao longo da história.

Aquele corredor, alvo igualmente desta candidatura à UNESCO, era utilizado pelos povos locais e com a chegada dos portugueses passou a ser uma rota para a introdução do cristianismo, tendo igualmente potenciado o negócio’ de escravos.

 A fechar o grupo das três candidaturas está o município do Cuito Cuanavale, na província do Cuando Cubango, palco, durante o conflito civil angolano, daquele que foi considerado como o maior combate militar em África após a segunda guerra mundial e que então envolveu forças do Governo angolano, da UNITA e da África do Sul, que comemorou o trigésimo aniversário em 2018.