O PERDÃO CURA!

No começo desta abordagem , permitam-me que faça duas referências a duas figuras da história da humanidade que, pela sua grandeza e magnificência, vieram ao mundo e ensinaram o amor, através do perdão.

A primeira destas figuras é Jesus Cristo. O homem que, mesmo diante da morte, crucificado e maltratado pelos seus algozes, nos seus últimos instantes de vida disse: “Pai, perdoa-lhes, pois, eles não sabem o que fazem”.

A segura figura é Nelson Mandela. Vinte e sete anos presos e submetido aos mais severos castigos, pelo simples facto de ter um tom de pele diferente e por reclamar a liberdade do seu povo.

Este homem, que teve a hombridade de não aceitar uma qualquer liberdade, que não fosse a troco do fim da exploração e humilhação dos negros na África do Sul; após a sua soltura, disse: “você alcançará mais neste mundo por meio de actos de compaixão, do que por actos de retaliação”. E a questão do perdão segue história a dentro.

E, em todos os momentos, nos registos da evolução da humanidade, ficou gravada a preocupação e o cuidado para que o valor do perdão se perpetuasse, pois, é vital a sua função, tanto para o indivíduo assim como para o coletivo. Mahatma Gandi disse que “os fracos não perdoam. Perdoar é uma virtude dos fortes”.

 “Não levante a espada sobre a cabeça de quem te pediu perdão”, alertava Machado de Assis. “Suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos uns aos outros, se algum tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também”.

Colossenses 3:13. Mas, se é tão importante assim, porquê perdoar se torna difícil? O que torna o perdão tão importante? Porquê deveríamos perdoar setenta vezes sete vezes, como diz a Bíblia? (…) Quando o Mestre dos mestres disse;

“Pai perdoa-lhes, pois eles não sabem o que fazem”; através desta expressão, Cristo enunciou o mais profundo dilema existencial humano, ou seja, Jesus, que era um super humano, sabia o que a ciência só veio a desvendar séculos mais tarde. Que o ser humano, na sua condição actual, percebendo a realidade em apenas três/quatro dimensões, é equivalente a uma criança no parquinho escolar, que briga e chora por um boneco de palha e sofre por lhe ser negado comer todos os chocolates de uma só vez.

Perceber a realidade, usando menos de 10% da capacidade do seu cérebro, corresponde ao quanto não sabemos em relação à grandiosidade do Todo. Isso explica o “só sei que nada sei”, pois, emersos no longo túnel do esquecimento humano, não saber e ter consciência disso, representa o significativo impulso na jornada do despertar.

Assim, a razão espiritual para eterno perdão, decorre de um padrão de conhecimento que, apenas recentemente, a humanidade começou a desvendar: o Todo como Unidade e a separatividade como ilusão.

A heresia da separatividade, como ilustra a cultura Tibetana, resumiria a essência dos males no planeta e a porta que deixamos aberta para que o ego se instalasse e gerasse os nossos conflitos. Na verdade, o que os mestres queriam transmitir-nos é que, não há o “outro”. Que, através do auto conhecimento, perceberíamos as conexões que nos ligam à tudo e à todos. (…)

Que somos todos extensões uns dos outros, a fazer jus a premissa de Teilhard de Chardin: “nós não somos seres humanos, vivendo uma experiência espiritual. Somos sim seres espirituais vivendo uma experiência humana”. A ilusão da separatividade é passageira.

Portanto, se é verdade que “no sentimento está o ensinamento”. Se o sentimento é um atributo da Consciência, com o qual criamos a nossa realidade bioquímica e material, como o acto de perdoar se liga à tudo isso?

A ciência provou, atreves das experiências do Russo Vladmir Poponi, que a molécula do DNA humano tem influência sobre os demais componentes físicos da realidade material. De acordo com o estudo, moléculas de DNA de um certo indivíduo foram colocadas num vaso de laboratório, em conjunto com fótons de luz e outras partículas.

O estudo demonstrou que, a medida que eram induzidos estímulos ao indivíduo do qual foram retiradas as moléculas de DNA, estas provocam uma certa influência nas demais partículas, dentro do vaso, provando o poder da consciência humana sobre a matéria.

Na sua obra “A Matriz Divina”, o cientista Gregg Braden, aborda a força dos campos electro magnéticos, produzidos pelo cérebro (pensamentos) e coração (sentimentos).

O pesquisador comparou o raio de extensão dos estímulos produzidos pelo cérebro e coração, tendo concluído que os sentimentos (amor ou medo) geram um campo de atração muito maior do que os estímulos semelhantes, gerados pela mente (pensamentos).

Como explicar o efeito contagiante de uma boa gargalhada em público? E aquela pessoa, sentada perto de nós, num cinema, que, de tão enfurecida, afasta todos ao seu redor? Como nos sentimos ao lado de alguém feliz e em celebração?

Dito de modo directo: o sentimento é o nosso principal instrumento de criação. Ele suporta as palavras e os pensamentos e determina os nossos actos, pois ele está aliado aos paradigmas que sustentem a nossa crença; Ora, se na verdade somos um.

Se separatividade é uma ilusão da mente, pois tudo se passa dentro de nós. Se este poder dentro de nós obedece aos nossos comandos, sendo o sentimento a sua principal ferramenta de criação; claramente, concluímos que não perdoar e guardar sentimentos negativos dentro de nós é o mesmo que tomar veneno e esperar que o outro morra.

Ou seja, perdoar, mais do que um acto de inteligência é, acima de tudo, uma manifestação de sabedoria, pois, o corpo que guarda a divindade em nós, não distingue o “outro”, como procede a mente.

 A Essência em nós trabalha com o conceito de Unidade. Aquele mecanismo sagrado entende o Todo como UM e refletirá para nós mesmos, para a nossa biologia, o padrão vibracional dos sentimentos que admitirmos dentro de nós.

Daí o apelo dos Mestre, para que vigiássemos. Não a vida alheia, mas, a qualidade dos sentimentos dentro de nós. Para que apenas aos bons déssemos permissão de morada, tendo a necessária competência para reconhecer e afastar os maus.

Uma pesquisa feita em Londres, junto de doentes terminais de câncer, concluiu que o apego à sentimentos de baixa vibração, como magoa, rancor, ódio, vingança, etc, foi responsável por 70% das causas das doenças registadas naqueles pacientes.

A pesquisa relatou que, num período não superior a cinco anos, os doentes tinham vivido uma experiência traumática, a qual gerou ressentimentos que os próprios doentes mantinham e alimentavam dentro de si e, como consequência, ocorreu um desequilíbrio das energias dentro do corpo humano, dando lugar ao câncer.

Os médicos ilustram o sistema imunológico do corpo humano, comparando- o com um território e as suas fronteiras. Assim, quando guardamos ressentimentos por situações ou pessoas é como se fizéssemos deslocar toda guarda, concentrando-a num único objectivo, deixando vulneráveis as demais entradas.

A prática do desapego e não indiferença ou apatia é, desta forma, a principal estratégia para perdão. Desapego, enquanto atitude que expressa o nosso desinteresse pela posse ou pelo controle de situações e pessoas.

Praticar a visualização de realidades, nas quais nos libertamos de algo pesado dentro de nos. A clássica visualização das bolas de sabão, nas quais, com a nossa imaginação, impregnamos nelas os sentimentos amargos de que nos queremos livrar (…).

 A repetição desta prática induz ao corpo a intenção da mudança e ela, pela lei da ação e reação, ocorrerá em algum momento. A paz clama pelo perdão, pois o que realmente conta não são os factos ou as experiências por nós vividas, mas a nossa reação à elas.

Se somos dominados pela animalidade, agiremos com base no instinto e por eles seremos dominados. Porém, se formos humanos, teremos altitude e grandeza e chegaremos àquele nível em que sempre somos o observador das nossas emoções e sentimentos e livres para escolher entre a dor do ego e a lição aprendida.

 (…) Perdoar a nós mesmos, como sinal do reconhecimento da nossa incompletude humana. A consciência de que os erros que cometemos contra nós e contra o “outro” são a expressão da criança no parque escolar, que não sabe o que não sabe. Eis a base da compaixão e da auto estima, apoiada na premissa de que “somos muito maiores do que aquilo que nos foi dito”.

 

Alexandre Lucas Tchilumbu

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