Portos registam mais entrada de bens da cesta básica

Apesar da redução de movimento de navios nos portos, devido à pandemia de COVID-19, nos últimos seis meses os produtos da cesta básica foram os mais importados. Ásia, América e Europa foram os continentes em que mais se importou. Houve também exportação de rochas ornamentais e de material petrolífero

Com a pandemia da COVID-19 a limitar as importações de bens, os trabalhos rotineiros nos portos de Angola seguem um ritmo condicionado, em função quer dos condicionamentos relacionados com confinamentos sociais, quer pelo movimento mundial do sector dos Transportes.

 No caso de Angola, as declarações de estado de emergência em Março, Abril, Maio e de calamidade em Junho e no corrente mês de Julho impactaram, como se percebe, o subsector marítimo e portuário.

 “No período de Estado de Emergência (21 de Março a 26 de Maio) tivemos 343 embarcações de navios de carga, envolvemos mais de 9.238 pessoas, movimentados um volume de 1.445.054 toneladas de carga”, refere um documento do Ministério dos Transportes a que tivemos acesso, acrescentado que no período em referência os navios transportaram cargas diversas com realce para produtos alimentares.

Os produtos mais importados por toneladas (carga certificada) foram, entre outros, trigo com centeio, arroz, farinha de trigo, açúcares de cana e sacarose quimicamente pura, no estado sólido, óleo de palma, massas alimentícias, mesmo cozidas ou recheadas (de carne ou de outras substâncias) ou preparadas de outro modo, tais como esparguete, macarrão, aletria, lasanha, nhoque, raviole e canelone; cuscuz, mesmo preparado, carnes e miudezas, comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas bovinos, carnes e miudezas, comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas, das aves da posição, óleo de soja e artigos de matérias têxteis e artigos de uso semelhante.

De modo global, de Abril a Maio de 2020, o Porto de Luanda movimentou um total de 971.670,69 toneladas, e teve um aumento de 1.075,95 toneladas, que representa 28% de crescimento, comparativamente ao mês de Abril do mesmo ano.

 Relativamente ao período de Calamidade – Covid-19, a produção geral no Porto de Luanda foi de 396.729,70 toneladas e a media diária foi de 18.033,17 toneladas.

 Quanto ao Porto do Lobito, houve uma redução na ordem dos 55,80 Toneladas de Janeiro a Maio de 2020, na importação de mercadorias que passaram diariamente pelas suas instalações e serviços. No Porto do Namibe registou-se uma redução de 62.481 toneladas, enquanto no Porto de Cabinda houve a redução na importação de mercadorias, o mesmo ocorrendo no Porto do Soyo.

Os mais exportados

Dados do Ministério dos Transportes que que tivemos acesso indicam ainda que os produtos mais exportados, em carga certificada exportada, foram granito, basalto, arenito e outras pedras de cantaria ou de construção, mesmo desbastados ou simplesmente cortados à serra ou por outro meio, em blocos ou placas de forma quadrada ou rectangular, material petrolífero, mármores, travertinos, granitos belgas e outras pedras calcárias de cantaria ou de construção, de densidade aparente igual ou superior a 2,5, e alabastro, mesmo desbastados ou simplesmente cortados à serra ou por outro meio, em blocos ou placas de forma quadrada.

Neste quesito houve um total de carga certificada de 92 543,53 toneladas, nos dados coligidos pelo no Conselho Nacional de Carregadores – CNC.

Empresas que mais importaram

No âmbito da actuação do Conselho Nacional de Carregadores, foram emitidos 33 005 certificados de embarque e 242 certificados de embarque de exportação.

 Os maiores importadores por toneladas foram, entre outras, as empresas Naval General Trading Limitada, Noble Group, S.a, NdadNova Distribuidora Alimentar, limitada, Angomart – cash & carry, s.a, Kikolo Sociedade Industrial de Moagem S.A, Newaco Grupo, S.A, Leonor Carrinho e Filhos, lda, Fermat Comércio Geral import e export lda, Grandes Moagens de Angola – GMA, Lda, Angoalissar Comércio e Indústria Lda.

 Movimento de contentores

Quanto às unidades terminais de T. Polivalente, T. Contentores, Multiusos e Sonils, houve uma subida considerável no mês de Maio de 5.769 contentores por terminais, que representa 15%,comparativamente ao mês de Abril do mesmo ano.

O Porto do Lobito operou num único terminal, o Terminal de Contentores e o tráfego de contentores 9.552 unidades. O do Namibe observou, no primeiro trimestre 5.551, mas teve um recuo de -1.252, no segundo trimestre, com um movimento de 4.299; no Porto de Cabinda o tráfego de contentores registou 816 unidades.

Desde o mês de Janeiro até 24 de Maio do ano em curso, no Porto do Soyo foram manipulados 1.868 (mil e oitocentos e sessenta e oito) contentores no Terminal Comercial & Kwanda.

 Os agentes chaves

Embora existam alguns condicionalismos, os movimentos dos agentes de navegação fizeramse em alinhamento com as empresas de referência, designadamente, Porto de Luanda, Porto do Namibe, Porto de Cabinda, Porto do Soyo e Porto do Amboim.

 E estes agentes chaves são a Niledutch, Maersk – Saf, CMA, CGM, Msc, Orey – Cosco,Bollore – pil/ hsd, Naiber, Sharaf – Hlc e Grimaldi. “No global, podemos, através do Porto de Luanda, notar uma subida considerável do movimento no mês de Maio de 2020 de 3.870 contentores, o que representou 14% comparativamente ao mês de Abril”, lê-se no documento do Ministério dos Transportes.

 No Porto do Lobito não houve evolução no movimento de agentes de navegação, mas uma diminuição na ordem dos 58,73% comparativamente ao Iº Semestre de 2019, ao passo que no Porto de Cabinda a evolução do movimento por agente de navegação foi de 2 a 3 navios por mês.

O documento refere ainda que, relativamente ao Porto do Amboim, que herdou uma Ponte Cais do tempo colonial que devido ao estado avançado de degradação, em Junho de 1987, suspendeu as operações de carga e descarga, por questões de segurança, passando somente a controlar o movimento de descarga de combustíveis, por pipeline, de Petroleiros, para o Terminal Oceânico de Porto Amboim (TOPA).

 Proveniência das mercadorias

 O Porto de Luanda continua a ser a principal entrada de mercadoria para o país. E grande parte delas vieram da China, Holanda, África do Sul, Dinamarca, Bélgica, Brasil, Espanha, Tchad, Portugal e Mauritânia.

Por sua vez, o Porto do Lobito recebeu mercadorias oriundas do Panamá, Bahamas, Singapura, Malta. O Porto do Namibe, as mercadorias foram originárias da África do Sul, Brasil, Portugal e Holanda.

Quanto ao Porto de Cabinda, chegaram da Ásia (China, Dubaí e Turquia) América, Europa (Portugal) e outros. Já no Porto do Soyo, as mercadorias entraram pela via da Guiné Equatorial, República Democrática do Congo, Namíbia, Togo e Congo-Brazzaville.

O documento acautela que no movimento de navios não se deve confundir com o destino de navios ligados à actividade petrolífera e que também procedem ao carregamento do Gás Natural Liquefeito (LNG) com destino a China, Grécia, França, Espanha, Portugal, Brasil, África do Sul, Bélgica e Estados Unidos de América.

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