Projectos de combate à pobreza com preços altos na Quiçama

A equipa da unidade técnica, encabeçada pelo representante do sector político e social da Presidência da República, Ricardo Daniel, visitou, na última Sexta-feira, o município da Quiçama e constatou as obras desenvolvidas e o custo das acções

A equipa constituída por técnicos do Ministério das Finanças, técnicos do IRSEM e Ricardo Daniel, visitou a reabilitação de três salas anexas da escola 7002, na localidade de Cacoba, orçada em mais de 14 milhões de Kwanzas; duas cooperativas agrícolas, cujo apoio foi de 4 milhões de Kwanzas; a construção do campo de futebol 11 na localidade do Coxi, orçada em mais de 40 milhões de Kwanzas; a construção da infra- estrutura onde funcionará o serviço de hemoterapia, no hospital da Muxima, orçado em 15 milhões Kwanzas, entre outros.

Ricardo Daniel explicou que o município da Quiçama é uma região geograficamente de difícil, incluindo os acessos das comunas, situação que encarece e em parte dificulta o progresso e sucesso dos projectos.

A equipa da unidade técnica sentiu que existe força de vontade da administração municipal no sentido de viabilizar as acções.

Entre os constrangimentos está a dificuldade enfrentada pelos agricultores para escoarem os produtos cultivados, dado o mau estado das estradas, situação que acredita que nos próximos tempos será ultrapassada.

De acordo com Ricardo Daniel, a administração já contratou uma brigada com máquinas niveladora e poderá fazer o serviço de terraplanagem nas vias terciárias.

Recomenda a administração, no exercício económico 2021, a identificar claramente as acções do programa, pelo que, devem trabalhar com as comunidades, de modo a identificar as necessidades das populações nos projectos desenvolvidos.

“Não podemos pensar pelas comunidades, devemos antes ouvir, dialogar e tomar decisões, só as sim poderão assumir os projectos como sendo seus, ainda que os programas venham a terminar”, disse.

A sua equipa fez apenas uma visita de constatação, mas passarão a fazer continuamente de três em três meses, no sentido de ajustar as acções que, no seu entender, não foram bem-sucedidas na sua implementação.

As visitas e monitorização aumentarão a responsabilidade e entrega das equipas administrativas na execução das acções.

Agricultora desconhece apoio

Entretanto, na cooperativa agrícola Caculuca OPAÍS falou com Florence Nana, 64 anos, membro da associação, que diz não ter conhecimento e arrisca em dizer que a cooperativa não recebeu apoio para fomentar a actividade agrícola.

A associação conta com 133 associados, desenvolvem culturas de milho, feijão, tomate, alho, cebola, beringela, entre outros produtos agrícolas. Colhem mais de 70 toneladas de cebola, cerca de 100 de tomate, entre outras quantidades, cujo número não soube precisar.

Actulamente, a sua cooperativa conta com oito electro-bombas de pequeno porte, sendo que necessita de uma de grande porte. Como apoio gostaria de receber sementes variadas e tractores para facilitar os trabalhos.

“Precisamos de crédito bancário, o dinheiro não chega, já fizemos muitos requerimentos, mas nunca fomos apoiados. No mês passado recebemos uma equipa da administração da Muxima que perguntou sobre as nossas dificuldades e prometeram-nos ajuda, mas até ao momento não chegou nada ”, disse Florence Nana.

O director municipal da agricultura pecuária e pesca, André Yoba disse que a cooperativa Cacaluca beneficiou de alguns insumos para a produção agrícola 2019/2020, nomeadamente enxadas, catanas, adubos e 81 limas, mas o apoio não é suficiente tendo em conta o número de associados.

De realçar que as verbas alocadas no âmbito do PIDLCP no primeiro semestre do ano em curso para o sector agrícola foram cerca de 4 milhões de Kwanzas.

“Os instrumentos foram dados para a cooperativa e os pequenos agricultores conseguem por meios próprios. O que tem acontecido, actualmente, é alguma assistência técnica por parte dos técnicos das EDAS ao nível do município.

Por agora, estamos a fazer aquisição dos meios, para gradualmente contemplar as pessoas que não foram beneficiadas. Na primeira fase foram contemplados cerca de 100 membros da cooperativa”, explicou André Yoba.

Segundo o director da agricultura pecuária e pesca da Quiçama, em cada hectare usam-se sete sacos de adubo. “Com o ano agrícola que se avizinha, estamos a pensar em alargar mais a área de produção”.

Por seu turno, o administrador municipal adjunto para a área económica e financeira, da Quiçama, Amílcar Oliveira, frisou que estão alinhados com os objectivos do programa e tudo fazem para cumprir as metas traçadas do PIDLCP.

Quanto às recomendações deixadas pela equipa de unidade técnica, vão abraçar e aprimorar as acções, dentro dos eixos. “Vamos dar maior atenção aos ex-militares, integrá-los mais nas acções implementadas, tendo em conta que são o foco do projecto”.

Lamenta os constrangimentos que a administração tem enfrentado na implementação dos projectos, por conta da extensão territorial e difícil acesso às localidades, facto que altera e varia considerável os preços das obras, quer seja de raiz ou reabilitação.

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