‘Sombras’ partidárias podem forçar anulação das eleições no CNJ

Para já, as candidaturas chumbadas manifestaram a impugnação do processo, o que poderá resultar na anulação do conclave eleitoral, aprazado para o final deste mês, que tem apenas Isaías Calunga como único candidato

A poucos dias de ser conhecido o novo presidente do Conselho Nacional da Juventude (CNJ), somam as denúncias de irregularidades e vícios à volta do processo eleitoral que tem como candidato único o actual presidente do Conselho Provincial da Juventude de Luanda, Isaías Calunga, que concorre pela associação Une-Angola. 

Para já, as candidaturas chumbadas manifestaram a impugnação do processo, o que poderá resultar na anulação do conclave eleitoral aprazado para o final deste mês. 

Para trás, ficaram chumbadas as candidaturas de Mário Lourenço, da Brigada Jovem de Literatura, Mauro Mendes, do Grémio Juvenil de Angola e Agostinho, Domingos, da Associação Brigada 28 de Agosto. 

Fontes do dossier indicam que a retirada destes concorrentes à corrida para a presidencial do CNJ deve-se a orientações partidárias, para manter apenas Isaías Calunga, que é acusado de ser igualmente membro activo da JMPLA. 

Porém, em face disso, as candidaturas barradas poderão, ainda no início desta semana, remeter um documento de impugnação que poderá culminar com a anulação do processo eleitoral, o que vai obrigar, caso se efective, pelo reinício do processo visto como vicioso e maculado. 

Contactado, recentemente, pelo OPAIS, Isaias Calunga recusou-se a falar sobre o processo eleitoral em curso. 

Por seu turno, o porta-voz da comissão eleitoral do CNJ, Ngoma Mbunta, refutou todas as acusações sobre o processo, tendo adiantado que as denúncias de irregularidades não passam de meras falácias e desculpa desonestas do grupo de candidatos que não viram as suas candidaturas a transitar para outro estágio. 

Segundo Ngoma Mbunta, a acusação de irregularidades na candidatura de Isaías Calunga é infundada e não tem razões de ser, porque cumpriu com todos os pressupostos legais e com os regulamentos eleitorais. 

Conforme disse, ao contrário dos outros candidatos, Calunga terá cumprido com todos os procedimentos dos quais o pagamento das quotas dos quatro anos no valor de USD 100 ao cambio do dia, completou as subscrições de 26 organizações nacionais num universo das 35 existentes e na obrigatoriedade de no mínimo ter 15, que perfazem os três órgãos sociais que são a mesa da Assembleia Geral, Conselho Fiscal e Jurisdicional e a Comissão Directiva. 

Não houve facilidades 

Relativamente a suposta facilitação na viabilização por ser presidente Provincial do Conselho da Juventude em Luanda, o porta-voz da comissão assegurou que Isaías Calunga suspendeu o seu mandato no órgão no início do processo. 

Já as outras candidaturas, como é o caso da Brigada Jovem de Literatura, apontou, foi invalidada por irregularidades que se impõe. 

Dentre as irregularidades, Ngoma Mbunta referiu ao facto de muitas organizações, incluindo a Brigada Jovem de Literatura, terem apenas apresentado 12 organizações. 

Destas, apontou, três delas já subscreviam a lista da Une-Angola, como é o caso da RAJUR, ACM, e AADSA e o CPJ Bengo que é inelegível na subscrição por ser um órgão intermedio do CNJ. 

“Recebemos uma carta dirigida a comissão eleitoral, vinda da Brigada Jovem de Literatura, assinada pelo presidente da mesa da assembleia geral, alegando não conhecerem o membro candidato. 

Assim, por não fazerem parte da mesma organização, por insuficiência de subscrições e de outros factos julgados legais, a comissão eleitoral invalidou o processo”, frisou. 

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