E assim…Os números de António Coelho

São recorrentes os desabafos do responsável da ANASO, António Coelho. E têm sido assustadoras as estatísticas que ele apresenta em relação ao quadro do VIH SIDA no país, mormente as infecções e as mortes.

Nas últimas semanas, o homem tem-se batido por causa da falta de medicamentos de primeira e de segunda linha, porque já existem pacientes com esta doença que não fazem a respectiva medicação inicialmente devido ao atraso registado na importação dos retrovirais.

A pandemia de Covid-19 provocou o esquecimento de outras doenças. Não só em Angola como noutras partes do mundo. Viramos as baterias para o coronavírus e nos esquecemos que a malária ainda mata dezenas ou centenas de angolanos, assim como o VIH Sida que está a deixar um outro rasto também assustador.

Os números de António Coelho apontam para mais de 30 mortes por dia em consequência do VIH Sida. É uma cifra para reflectir. A ser verdade, são números superiores as da Covid-19.

O activista social fala em mais de 900 pessoas que morrem todos os meses e 10 mil anualmente por causa desta doença.

A falta de antirretrovirais e outros medicamentos mereceu destaque numa das habituais conferências de imprensa, em que esteve a ministra da Saúde, Sílvia Lutukuta, no Centro de Imprensa Aníbal de Melo. Lembro-me de a responsável ter lamentado que a inexistência se devia a problemas na importação e ao acesso a determinados países.

Hoje, as informações indicam que os medicamentos estão no país, mas ainda assim os doentes não têm acesso porque existem alguns problemas burocráticos que estão a impedir o desalfandegamento.

Baseando-se nos números de António Coelho, Angola estará a perder diariamente três dezenas de bons cidadãos devido à burocracia. Mas é sempre possível contorná-la em situações especiais, como estas em que estão vidas em jogo, desde que haja vontade.

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