Conversas realizadas no espaço “Cinema no Sete e Meio” servirão para edição de um livro

Os lives realizados na página do Facebook do espaço, cujo término está previsto para Setembro, têm permitido aos distintos convidados debaterem sobre os vários temas ligados ao cinema, onde abordam também sobre as suas experiências e pretensões nesta área, assuntos que preencherão a obra

Os vários temas de conversas abordados desde Maio no Espaço “Cinema no Sete e Meio”, realizados as Quartas-feiras, às 18 horas, com distintos convidados, servirão para a edição de uma obra literária, uma iniciativa da Associação Kino Yetu.

Os Lives de carácter semanal, que tem como anfitriões os actores Orlando Sérgio e Miguel Hurts, termina em Setembro e tem como objectivo apresentar uma panorâmica daquilo que se faz hoje ao nível do cinema no país.

Numa das edições em que foram convidados os cineastas, Zezé Gâmboa e Maria João Ganga, as duas figuras do nosso cinema falaram das suas experiências, desde a década de 80, das realizações, dos desafios para a nova geração, e da necessidade de se apostar na formação, para melhor trabalhar.

O cineasta português, Jorge António, através do tema “Gravar em Angola”, entre outros assuntos, debruçou-se sobre o seu trabalho no país, como o filme “Miradouro da Lua”, gravado em 1991, em tempo da guerra civil, película esta considerada como a primeira co-produção entre Portugal e Angola, após a independência. Já os escritores José Agualusa e Adriano Mixinge, em conversa sobre “Romances adaptados para o cinema”, admitiram haver uma lista enorme de obras, de distintos autores, mas que são pouco adaptadas no cinema pelos realizados.

Os interlocutores realçaram que tal facto ocorre devido a existência de uma (certa) fragilidade nesta arte, o mesmo está a acontecer com pouca base literária por parte dos (poucos) cineastas existente no país. Através do tema “A Música no Cinema”, a cantora Aline Frazão contou da novidade que foi, para si, fazer a produção musical, a composição letras e arranjos no filme “Ar condicionado”, lançado no ano passado. Maria João Teles Grilo e Paula Nascimento, concentraram-se no tema “Perspectivas de Arquitectura”, abordando as envolvências das estruturas arquitectónicas no cinema.

Em conversa com este jornal, Orlando Sérgio disse que, as conversas tidas mostram outras expectativas de ver o cinema, com convidados que partilham as suas experiências, a fim de se chamar a atenção do público, das múltiplas e diversidades que há para se conversar sobre esta arte.

“O cinema tem essa envolvência toda. Os convidados levaram à debate diversos temas relacionados com essa arte. Por isso, vamos conversar com mais gente. Essas conversas serão passadas no papel, juntamente com as biografias dos intervenientes e, depois, iremos editar.

Daremos o devido tratamento, para que possamos ter uma panorâmica agora, daquilo que as pessoas pensam hoje sobre o cinema”, augurou.

O também actor disse que, para além de conversarem com Jorge António, cineasta das Olivais, (Portugal), radicado em Angola, mantiveram ainda conversas com outras figuras ligadas a este país e do Brasil, como a Michelle Sales, Ana Cristina Pereira, Daiane Rosário e Lecco França.

“É um espaço que recebe os subsídios dos convidados. Falamos também com pessoas no Brasil, ligadas a mostra de cinema na Baia, em Portugal ligadas a mostra de cinema africano.

Para terminar o processo, pretende-se fazer cerca de 18 Lives, para assim iniciar com o trabalho de edição do livro”, avançou. Neste espaço foram ainda abordados temas como “O nascimento do cinema em angolano”, “Festivais de cinema em África”, “Actores angolanos na diáspora”, “Novas tendências do cinema em Angola”, “À procura do personagem”, “No caminho das estrelas”, “À conquista do mundo”, “Negras no cinema português e brasileiro” Actriz de cinema em Angola o desafio”.

Nguxi dos Santos e Óscar Pedro Pimenta, Sílvio Nascimento, Mawete Paciência, Dorivaldo Cortez, Ery Claver, Micaela Reis, Lesliana Pereira, Raul de Rosário e José Kiteculo, Pedro Hossi e Hoji Fortuna, com os produtores da Semba Comunicação e Geração 80, respectivamente, Coréon Dú e Jorge Cohen foram os convidados.

A iniciativa

Os debates são promovidos pela Associação Kino Yetu, agremiação que se mostrou interessada na divulgação do cinema, fazendo mostras, mas, também, na produção cinematográfica, que pretende desenvolver este ano.

A parceria com o espaço Sete e Meio, que para além daquilo que lhe caracteriza, dedica-se também a venda dos seus produtos, faz concerto ao vivo, possui uma galeria, onde tem realizado exposições e projecta filmes.

O referido projecto que surgiu em Maio, nesta fase de pandemia da Covid-19, visa dar continuidade as actividades realizadas anteriormente no bar, através dos Lives efectivados na sua página do Facebook, o que tem permitido a execução de debates com distintas individualidades angolanas e não só, ligadas ao cinema.

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