E assim…Medida acertada

Se André Mingas ainda fosse vivo, hoje usaria aquela frase lapidar: ‘é nacional, é bom e eu gosto’.

As medidas políticas tomadas em relação à importação de produtos de elevado consumo interno e com capacidade instalada, pelo Ministério da Indústria e Comércio, têm este sabor. Há muito que não fazia sentido determinados produtos, como por exemplo batata-doce, cenoura, alho, amendoim (ginguba) e água engarrafada, usando principalmente divisas que seriam aplicadas na aquisição de outros bens que o país não produz.

Claro que gostos são gostos. Aqueles cujas papilas gustativas não suportam os produtos vindo dos nossos campos, que muitas das vezes apodrecem por falta de compradores, continuarão a gozar do prazer de ter à mesa os produtos desejados, importados da Ásia, Europa ou América.

Até mesmo a água para ‘empurrar’ o repasto. Bastará que usem os dólares que amealharam nos últimos tempos e deixem de engarrafar os corredores do Banco Nacional ou dos bancos comerciais.

A aposta em produtos nacionais, como agora acontece, poderá acelerar determinados processos até então adormecidos. Inverter a tendência daqueles que há muito se afastaram do campo e julgavam ter a solução das suas vidas nas grandes cidades.

Os grandes produtores poderão aumentar o número de trabalhadores para atender a demanda e ainda propiciar, nalguns casos, a melhoria dos acessos às fazendas, vilas, aldeias e comunas com alguma produção.

O nacionalismo também pode ser exercido no prato. É mais saudável e menos oneroso. Não é idolatrar a sardinha de outros países e abominar a lambula caseira.

Aproveite hoje um matabicho composto por abacate do Huambo, batata-doce de Cambembeia, farinha de Icolo e Bengo, safu do Uíge, salada de tomate de Calumbo, inhame de Malanje e, se possível, um sumo de múkua de Maria Teresa, laranjas de Zenza do Itombe, ananás do Balombo ou morangos do Lubango.

Se precisar adocicar, coloque mel do Moxico. Melhora a saúde, a economia do país, a vida dos camponeses e suas famílias, aumenta os postos de trabalho. E não é preciso divisas.

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