Editorial: Realismo político

Editorial: Realismo político

Quinhentos mil postos de trabalho é a promessa mais marcante do MPLA e do seu candidato na altura, João Lourenço, na campanha de 2017, altura em que o partido venceu e o actual Chefe de estado chegou ao cargo de Presidente da república. 

Três anos depois, os angolanos continuam a exigir a sua concretização. mas não se pode deixar de lado as circunstâncias actuais existentes no mundo de que Angola também é parte integrante. 

Herdeiro de uma situação económica caótica, acossada posteriormente pela pandemia da Covid 19, que ditou o encerramento de empresas, a actual conjuntura não permite que se consiga cumprir tal promessa de maneira abrupta. Trata-se de uma realidade que nem mesmo os supostos magos da nossa economia conseguirão resolver se lhes for emprestado temporariamente o leme do barco.  

O número de empregos está agora condicionado pela retomada da economia num cenário em que a Covid 19 arrefeça e deixe de representar ameaça. Tem sido assim noutras partes do mundo e, certamente, não será diferente em Angola. 

O anúncio da criação de 83 mil e 500 postos de trabalho, feito ontem, pela ministra da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social, deve ser encarado neste âmbito do crescimento gradual. Haverá sempre a possibilidade da oferta aumentar. o importante é que não se tenha perdido o foco, mesmo que não se atinja a meta inicial.