Autoridades consideram prematura imposição de uma cerca sanitária a Benguela

A província de Benguela tem, desde a tarde de ontem, um acumulado de 12 casos de Covid-19, sendo dois recuperados e o registo de uma morte. Trata-se de um paciente de 75 anos de idade do município da Baía-Farta, que se encontrava em estado crítico

No dia 22 deste mês, Sábado, a província de Benguela registou, uma vez mais, a alteração do seu perfil epidemiológico, com o registo de 7 novos casos de Covid-19, com idades compreendidas entre os 6 e os 75 anos de idade.

De acordo com o director do Gabinete Provincial de Saúde, médico António Manuel Cabinda, destes casos quatro estão relacionados com os dos bairros Quioxe e Massangarala (e se encontravam nas unidades de isolamento institucional aguardavam pelo resultado do RTPCR), um notificado no bairro da Graça, importado da província de Luanda, um de transmissão local, registado no bairro do São João e, por último, um também de transmissão local, diagnosticado no município da Baía-Farta.

Este último paciente, de 75 anos de idade, que apresentava um quadro crítico, perdeu a vida momentos depois de o director do Gabinete Provincial da Saúde em Benguela, António Manuel Cabinda, ter procedido à divulgação, em conferência de imprensa, dos dados que alteraram o perfil epidemiológico da província.

Daí que não tenha sido o também coordenador técnico da comissão de saúde pública a anunciar a morte e o secretário de Estado para Saúde Pública, Franco Mufinda, se ter responsabilizado pelo infausto acontecimento.

Nesta perspectiva, a província de Benguela conta, actualmente, com um acumulado de 12 casos confirmados, dois recuperados e nove activos, todos eles assintomáticos e o registo de uma morte.

“Seis encontravam-se na nossa unidade de isolamento institucional, 2 (1) em isolamento domiciliar e 1 na unidade de tratamento no hospital da Polícia, na Catumbela”, revelou.

Em relação à testagem, o médico dá conta da realização, até à presente data, de 1206 testes rápidos, 40 dos quais reactivos à IGG, 28 à IGM, 7 à IGG e IGM e 1131 não reactivos.

No que respeita à RTPCR, o Laboratório de Virologia Molecular, até ao momento, processou 54 amostras das províncias de Benguela, na qualidade de anfitriã, Bié e Huambo.

“Importa referir que ainda temos pendentes 29 amostras, que foram reactivas. Dos contactos que fizemos nos bairros do Quioxe, Massangarala e Bairro Benfica não recebemos os resultados, porque estes tinham sido mandadas para a Luanda antes do início da operacionalização do laboratório de Virologia Molecular”, realça.

Embora o quadro epidemiológico seja deveras preocupante, com a evidência de transmissão local, as autoridades sanitárias descartam, por ora, a imposição de uma cerca sanitária ao município de Benguela.

À imprensa o também coordenador técnico da Comissão Provincial de Saúde Pública sustenta que não estão reunidos, até ao momento, critérios que justifiquem a tomada de tal decisão, até porque, segundo sublinha o responsável, grande parte dos casos estão controlados. “O que estamos a fazer agora é testar os outros contactos”, justifica o responsável.

POR: Constantino Eduardo, em Benguela

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