Câmara de Comércio treina membros com os olhos no mercado internacional

Nesta Terça, 25 encerrou a primeira das muitas prometidas formações que a CCIA garante a membros e interessados. A próxima foi anunciada na mesma ocasião. Os primeiros formados terão a missão de replicar os conhecimentos para outros membros, tão logo se ache oportunidade. Por enquanto, é com recurso a vídeo-conferência

A Câmara de Comércio e Industria de Angola (CCIA) esta a capacitar os seus membros e interessados em como conquistar mercados internacionais e levar o “made in Angola” ao mundo.

O primeiro curso sobre “mapear mercados em exportações” decorreu por quatro semanas e encerrou esta Terça-feira, com discursos e entrega de diplomas.

A instituição está a servir-se das tecnologias para não se deixar aprisionar pela pandemia da Covid-19 e com um formador baseado em terras lusas, juntou em sala virtual formandos em diferentes cidades de Angola, capacitando-os com as atenções viradas para o mercado internacional.

O presidente da Câmara de Comércio e Industria de Angola, Vicente Soares enquadra a iniciativa na perspectiva de não olhar-se apenas para a vertente do fomento de trocas comerciais e promoção de bens e serviços mas, na do fomento de uma classe empresarial forte que seja capaz de contribuir para o crescimento e desenvolvimento sustentáveis do país.

“Para o alcance de tal desiderato, urge dotar a classe empresarial de conhecimentos que não é mais senão formação e informação. Só assim estarão à altura de enfrentar os desafios do mundo globalizado onde os fracos sucumbem diante da concorrência agressiva e permanente dos mais dotados”, referiu o líder da CCIA.

A câmara realça que a formação em referência, com um vasto leque temático, com destaque para “a internacionalização das empresas; técnicas de pesquisa e mercados, promoção internacional, entre outros”, responde a necessidade do momento da classe no país e consequentemente ao aumento da produção e produtividade nacional. Dirigindo-se aos participantes da primeira fornalha de formados, o presidente da Câmara de Comércio e Industria de Angola lembrou que eles eram como que os da equipa da “linha da frente” cabendo-lhes a missão de replicar os conhecimentos adquiridos e tirar as duvidas aos restantes, por formar.

“Temos presente as nossas limitações, principalmente no que aos problemas conjunturais diz respeito. Sabemos, entretanto, que os problemas económicos não se resolvem de forma isolada e aqueles que são conjunturais resolvem- se de forma integrada.

A exemplo do apoio que temos hoje, podemos contar com o Executivo como parceiro nas questões que nos ultrapassam”, frisou Vicente Soares, acrescentando que a iniciativa da sua instituição é o lançamento de uma semente para o trabalho futuro que pode ser melhor, se “organizados e unidos”.

A Câmara de Comércio e Industria de Angola (CCIA) é uma pessoa colectiva, dotada de personalidade jurídica, autonomia administrativa e financeira, decorrente da sua prestação de actividades de utilidade pública, estatuto que lhe foi conferido pelo governo angolano.

O seu objecto principal é a promoção da actividade económica e comercial no país e no estrangeiro e, ainda o de exercer o papel de Sindicato dos Empregadores. Dela podem ser membros, empresas, câmaras provinciais, associações comerciais, industriais, agrícolas e de prestação de serviços.

Executivo encoraja capacitação dos empresários O secretários de Estado para a Indústria, Ivan do Prado, um dos convidados a assistir a cerimónia, considera a iniciativa da câmara alinhada com a estratégia do Executivo que visa aumentar as exportações bem como o comércio no mercado nacional, “indo assim ao encontro da equação do problema do escoamento do produto nacional, principalmente os agrícolas e industriais”. Para o governante, o conhecimento do mercado à nossa volta implica o domínio de métodos para visualizá-lo razão pela qual “consideramos de relevante um programa de formação que habilite os empresários a exportar e importar produtos, bens e serviços, bem como participar em feiras e exposições”.

O governante disse que a Câmara de Comércio e Industria de Angola (CCIA), com as suas iniciativas de formação dos filiados e interessados, está a prestar um serviço de utilidade para os seus membros e não só, visto que tais iniciativas alinham com as do Executivo pelo que se espera que os resultados traduzamse na dinamização da actividade económica e comercial, redução das importações, aumento das exportações e diversificação da economia nacional.

“Eramos especiais: Não procurávamos competitividade”

O secretário de Estado para a Economia, Mário João, outro presente no acto, referiu que a economia não é um ambiente fechado, tal como funcionou no país durante muitos anos. “Nós eramos especiais. Não procurávamos competitividade porque havia procura daquilo que nós tínhamos e fomos ficando por aí. Entramos em algumas organizações internacionais como a Organização Mundial do Comércio (OMC da sigla em inglês) mas, raramente tirávamos proveito das disposições disponíveis, enquanto país menos avançado”.

Hoje estamos a migrar para país em desenvolvimento, nas mais diversas organizações internacionais, enquanto noutras já graduamos, como o caso do Banco Mundial mas, o que falta é “capacitação dos empresários e tirar proveito dos mais diversos mercados”. “Gostaria de desafiar a Câmara de Comércio e Indústria de Angola (CCIA), porque para que isso aconteça (tirar proveito) é necessário dominar mecanismos como as regras de origem. Portanto há muitos desafios pela frente”.

O governante aconselha a CCIA a servir-se das missões diplomáticas que já enveredarem pela “diplomacia económica”, assim como um conjunto de activos fiscais dos quais se devem servir os operadores económicos pelo que o processo de capacitação iniciado deve prosseguir.

“Os nossos hábitos e costumes não podem ser exportados na intenção de que serão consumidos nos países de destino. Devemos estar em contacto com as missões diplomáticas para ajudarem a mapear e fazer diagnóstico pela via de estudos de mercado para poder fazer com que o nosso produto seja competitivo lá onde for”.

O governante lembrou a classe empresarial nem sempre teve capacidade de visualizar oportunidade de negócio, quer no país, quer da SADC e por fim no vasto mercado global. Marcaram presença no evento a administradora da Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações de Angola (AIPEX), Maria do Carmo do Nascimento, a presidente da Federação das Mulheres Empreendedor de Angola (FMEA), Sandra dos Santos e o presidente da Câmara de Comércio Angola/China, Manuel Calado.

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