Crise de liderança na FNLA se agudiza com acusações mútuas

Desde que foi eleito num congresso “conturbado” em Julho de 2010, Lucas Ngonda vive um consulado de “ amor e ódio”, decorrente de divergências internas com os seus principais colaboradores, que transformaram o partido numa “manta de retalho”

A FNLA está a viver mais um “clima de tensão” desde ontem, altura em que o seu presidente Lucas Ngonda suspendeu do cargo o secretário-geral Pedro Mucumbi Dala por “ traição”, substituindo-o por Aguiar António Laurindo.

O anúncio, que não foi bem acolhido pelo demitido, aconteceu em conferência de imprensa convocada para o efeito, e apanhou- o de surpresa.

Mucumbi foi acusado publicamente de comandar um grupo de militantes contestatários que pretende(ia)m supostamente destituir Ngonda do cargo.

Inconformado com o seu afastamento compulsivo em contravenção aos estatutos do partido, defendeu-se dizendo que Ngonda tem medo dele, por ser um potencial candidato no próximo congresso ainda sem data marcada.

Em resposta, Macumbi, que até ontem era um dos poucos “confidentes”, cuja função que exercia o colocava numa espécie de vice-presidente devido à vacatura não preenchida, acusou Ngonda de ditador.

Deste modo, Pedro Mucumbi Dala deixou de ser o principal “delfim” e junta-se a um grupo de militantes e quadros contestatários da liderança de Ngonda.

É um grupo constituído por antigos combatentes e quadros seniores do partido com elevada bagagem política, onde despontam os académicos Carlinhos Zassala, Nsanda Wa Makumbu, Fernando Pedro Gomes, João Castro(Freedom), João Nascimento, e outros.

Há ainda outros quadros e veteranos como o ex-vice-presidente Jorge Vunge Kiazembwa e o secretário-geral David Alberto Mavinga, saídos do congresso de Julho de 2010, mas que interromperam os seus mandatos por discordância com Ngonda.

Já com idades avançadas, o primeiro voltou à sua terra natal na província do Cuanza- Norte, dedicando-se à agricultura de subsistência, enquanto o segundo apesar de nascer no município de Belize, em Cabinda, é em Benguela onde vive há mais de 50 anos, e funcionário público reformado.

Com a suspensão de Pedro Mucumbi Dala, abre-se mais uma fragmentação nesta força política de libertação nacional, elevando-se para cinco as alas que contestam a liderança de Ngonda. Trata-se de Ngola Kabangu, Tristão Ernesto, João Nascimento, e de Fernando Pedro Gomes, respectivamente, e as várias tentativas de reconciliação interna foram mal sucedidas.

Contestação da suspensão

Entretanto, numa carta dirigida ao presidente do partido, data de 26 de Agosto, a que O PAÍS teve acesso, Pedro Mucumbi Dala desvalorizou o despacho da sua suspensão. Argumentou que, com base nos estatutos, o presidente do partido é incompetente para suspender o secretário-geral, mas cabe ao comité central, sendo o órgão deliberativo.

“Nestes moldes, continuarei a exercer as minhas funções de secretário-geral por ter sido eleito na primeira reunião do comité central”, sustentou. Desafiando o presidente do partido, o secretário-geral orientou o funcionamento regular dos secretariados nacionais e provinciais até à realização do próximo congresso ordinário em data a indicar.

leave a reply