e assim… Bibala quente

Era preciso que alguém avançasse com força. Acredito que o efeito de tal medida deverá alastrar-se para outros municípios ou até mesmo províncias.

Mesmo existindo mecanismos de punição para aqueles que lesassem o Estado, ainda que de modo supostamente insignificante, muitos dos gestores públicos condenados judicialmente ou até castigados por crimes menos graves eram bafejados com posições inferiores ao nível da própria estrutura.

A decisão do governador do Namibe, Archer Mangueira, de suspender parte dos quadros superiores do município da Bibala denota coragem e vontade de se coartar algumas práticas que são visivelmente nefastas. Não há na história recente de Angola algum governador que tenha agido com tal agressividade, mesmo quando estivesse em causa o dinheiro público.

Há muito que vimos dizendo que o Programa Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM) tem servido de mote para que muitos gestores continuem a ir ao pote de mel. Basta olhar para os preços que nos são apresentados. Perdeu-se o medo e até o desejo de se andar na rua de cabeça erguida, tudo porque o prazer pelo vil metal fala mais alto.

Se assim não fosse, ninguém se sentiria alarmado com os preços das canoas de Calumbo, em Viana. As paredes de um cemitério não criaram fantasmas na cabeça dos mortais, nem mesmo a construção de um balneário custasse somas elevadas.

No Namibe, ao que tudo indica, Mangueira não se deixou levar pelos discursos pelas explicações. Suspendeu quase todos os responsáveis da Administração da Bibala: o administrador municipal adjunto da Bibala para área económica e financeira, o administrador adjunto da Bibala para o sector técnico e infra-estrutura, o director municipal do gabinete jurídico e contencioso administrativo, o chefe da secretaria da administração da Bibala, o director municipal do Gabinete de Estudo e Planeamento e Estatística, o director municipal da Educação, o da Saúde, e do Urbanismo, Habitação e Ambiente, o director de fiscalização e o assessor do administrador para os serviços técnicos.

Neste momento, são apenas suspeitos. Mas para que ocorresse uma suspensão desta dimensão, a Procuradoria-Geral da República e o Governo local terão já provas fundadas de que naquelas terras quentes e secas do Namibe andará muita gente com sede de dinheiro.

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