BD francófona chora a morte de André-Paul Duchâteau

Argumentista de Ric Hochet e de muitas outras séries da revista “Tintin

O argumentista, escritor e jornalista belga André-Paul Duchâteau faleceu, ontem, Quarta-feira, aos 95 anos, segundo comunicado das Éditions du Lombard.

Natural de Tournai, onde nasceu a 8 de Maio de 1925, a paixão pelo romance policial nasceu logo aos sete anos, após ler “Six Hommes morts”, de Stanislas-André Steeman. Um encontro posterior com este escritor apontou-lhe o caminho a seguir, o da escrita.

Dessa forma, com apenas 15 anos publicou o seu primeiro romance policial, “Meurtre pour meurtre”, curiosamente publicado numa colecção dirigida por… Steeman!

A carreira de romancista foi a sua principal ocupação durante alguns anos, tendo em 1947 assinado os seus primeiros argumentos para banda desenhada, na revista “Bravo!”, entre histórias originais e adaptações de obras de Walter Scott e Paul Féval.

Foi nessa altura que travou conhecimento com o desenhador Gilbert Gascard, que o mundo da BD viria a conhecer como Tibet. Em 1951, assinam as primeiras criações em conjunto na “Ons Volske” e na “Tintin”.

Quatro anos depois, em 1955, nascia nesta última Ric Hochet, o jornalista detective de que o duo Duchâteau-Tibet iria assinar quase oito dezenas de álbuns. O escritor tornar-se-ia um dos pilares da revista, de que chegou a ser chefe de redacção e director artístico.

Autor prolífero e erudito, com um grande conhecimento dos clássicos, foi capaz de abordar os mais diversos géneros, da aventura ao humor, do western ao fantástico, mas sempre com o policial como principal referência.

Autor eminentemente popular, com uma invulgar capacidade de escrita, André-Paul Duchâteau deixa um imenso legado de centenas de novelas, romances, folhetins radiofónicos e álbuns de banda desenhada.

Neste último género, contam-se dezenas de séries como Chick Bill (também com Tibet), os 3A (Mittéï), Alain Chevalier e Yalek (Denayer), Bruce J. Hawker e Ringo (Vance), Hans (Rosinski) ou Mr.

Magellan (Géri), muitas das quais publicadas em Portugal, nomeadamente na versão lusitana da “Tintin”, embora seja fácil encontrar álbuns de Ric Hochet nas livrarias e de outras séries em alfarrabistas ou online.

Distinguido com inúmeros prémios durante a sua vida, Duchâteau prezava de forma especial o Grande Prémio de Literatura Policial que, em 1974 premiou o seu romance “De 5 à 7 avec la morte”.

POR: Jornal de Notícias

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