Lá no futuro!

Luanda, 28 de Agosto de 2040. O meu filho e os amigos dele vivem todos no estrangeiro. Ontem quando falámos no Frekls, essa nova rede social, conversou comigo em Inglês, já mal fala português. Fez em maio quarenta anos e há 22 que vive fora.

Falamos todos os dias como se estivéssemos juntos ontem holojantámos que é uma espécie de jantar e telefonema ao mesmo tempo. Falámos quase 5 minutos. Continua solteiro e não quer ter filhos, diz que lá para os 50. Tenho que esperar que quero muito ser avô!

Por muitas razões ele e os amigos acabaram todos por emigrar e a principal razão não foi a diferença de oportunidades que havia entre Portugal e outros países foi a lei VIA56/46 da Cisunião que obriga as pessoas a viajarem aos 18 anos para irem estudar noutro país.

O Diogo trabalha nas Nano Energias em Guangzhou na China, uma das novas megacidades com mais de 100 milhões de habitantes; a Carolina, a nossa Artista Plástica, foi para Nova Iorque porque já só lá é que há exposições! O Kiko está em Bombaim, o Zé Diogo em Pretória, a Ana Rita em Kuala Lumpur e o Ismael em São Paulo. Já ninguém vem a casa no Natal e há uma “app” no smartphone chamada “Konsoada”. Junta a família à volta de uma mesa e até têm cheiro! Mas não é a mesma coisa.

Os bebés também já quase deixaram de nascer na europa; de cada mil europeus nascem apenas 5 por ano. Sempre que nascem gémeos há festa na cidade. Só África ainda deita gente ao mundo.

Pulas de gema só há sete milhões e daqui a vinte anos dizem que não passam de cinco. Só este ano fecharam mais de 1000 escolas. Como a esperança de vida é quase 100 anos as reformas estão congeladas “temporariamente” (desde 2025). Mesmo no ponto para a os Mangolé rejuvenescerem o pedaço lusitano.

Em Lisboa, naquelas Avenidas Novas (agora mais velhas que outra coisa), quase todos os meus moradores são ingleses. Quando o Brexit aconteceu e depois do COVID muitos foram para lá. Compraram os hospitais do Estado e pagam directamente aos médicos. Os enfermeiros portugueses que emigraram muito para Inglaterra são os únicos que os compreendem.

Nas universidades a idade média dos alunos é 52 anos e três licenciaturas. As placas das salas de aulas são grandes por causa da miopia. Já só há dois jardins de infância, um ainda funciona e o outro é um “Museu da Criança”, acho que fechou o ano passado por falta de visitantes.

Este ano o Mundial é na Nova Jugoslávia e os Palancas Negras são cabeças no sorteio. Mas nenhum jogador da nossa selecção nasceu em Angola e os jogos em casa são todos em Paris. Mas este ano vamos ser campeões.

 

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