E assim…‘Lobos’ da importação

‘Angola é um país grande e belo…no seu subsolo tem enormes riquezas, um país rico em recursos hídricos’ deve ser uma das frases mais marcantes durante a época em que líamos na infância e outros na adolescência. 

As potencialidades do país são visíveis. Desde terras férteis a água. Somos um dos poucos países com rios intermináveis. O que contrasta com o seu aproveitamento. 

Os índices de produção da época colonial sempre fizeram inveja a muitos. Não é em vão que, sempre que se quer atingir determinados propósitos, até mesmo distante do sector agrícola, ainda há quem sugira, jocosamente, a necessidade de se atingir as ‘metas de 1973’. 

Mas os terrenos são os mesmos. Os rios também. A vontade permanece, mas a busca pelo lucro fácil impera este propósito.  

Logo após a independência, com a saída em massa de muitos empresários portugueses ou estrangeiros, e a consequente nacionalização das empresas, algumas empresas agrícolas e fábricas continuaram operacionais, degradando-se à medida que o conflito armado intensificava. Antes do fim do conflito, a apetência pela importação agudizou-se. 

Inicialmente era compreensível, porque o país, completamente minado, não tinha condições para prover os produtos necessários para a sobrevivência dos cidadãos. 

Uma elite com acesso a divisas, grande parte dela proveniente do tesouro, aumentou a sua influência. Era mais fácil importar do que produzir. 

À medida que florescia o negócio da importação, também deixavam para trás os vários projectos agrícolas, alguns até megalómanos, que iriam suprir as várias necessidades dos angolanos. 

A importação implica maiores lucros e despesas menores. Basta comprar e vender. Não necessitam de construir, investir tanto e empregar. 

É esta panóplia de interesses que há muito vai travando os passos que nos levariam, se calhar, há mais tempo, para uma independência em relação a determinados produtos. 

Os lobbys permanecem. Há quem diga mesmo que os ‘lobos’ da importação continuam. Numa actividade no Namibe, o antigo Presidente da República José Eduardo dos Santos chamou atenção para a existência do cartel do trigo. 

O anúncio da retirada de divisas do tesouro, feito há poucos dias, fez com que os ‘alphas ‘saíssem da toca. Ninguém está proibido de importar até mesmo produtos que existem em grande escala no país, desde que o façam com dinheiro próprio. 

Alguém tinha que colocar um ponto final. E o 2020 poderá ser um marco. Os camponeses estão contentes, os industriais idem. 

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