“Santana” considerado pela crítica como passaporte para o cinema angolano na Netflix

O filme Santana, o primeiro de Angola a estrear na Netflix, maior distribuidora de filmes e séries de televisão via streaming do mundo, foi exibido, ontem, durante um evento no Clube S, em Luanda

Agentes culturais angolanos ligados à sétima arte acreditam que o filme “Santana” servirá de via para o cinema nacional na Netflix, a maior distribuidora de filmes e séries de televisão via streaming do mundo, segundo soube O PAÍS, ontem, em Luanda.

As declarações foram feitas aquando da exibição do referido filme, no Clube S, que retrata a história de dois irmãos que, após décadas, descobrem a identidade do responsável pela morte do pai deles.

A partir daí, enfrentam uma grande rede de tráfico em busca de vingança. Assim, para o realizador Hochi Fu que esteve no evento e assistiu ao filme, “Santana” vai ajudar muito o mercado angolano, por afirmar- se uma abertura para outras produções internacionais.

“Além do cinema em si, essa abertura será saudável para os próprios profissionais, não só a nós os realizadores, mas também como os actores, porque só neste filme já houve uma interacção entre os actores e realizadores angolanos e sul-africanos, o que vai permitir que várias portas se abram”, analisou.

Tal como Hochi Fu, Arsénio Satyohamba, actor do filme, que participou nele desde que foi escrito, classifica a longa-metragem como fantástica por, na sua visão, pavimentar o caminho para grandes filmes de Angola na Netflix.

“Para um primeiro filme, de um jovem que pode criar algo com essa dimensão, a meu ver, é que temos muito a dar aqui em Angola, temos de continuar a acreditar e a lutar.

Ninguém é melhor do que ninguém, todos temos as nossas qualidades. Temos de estar unidos, pois juntos somos mais fortes”, acredita.

O actor reconheceu na ocasião que, Angola é um país forte, com potencial, em que as pessoas são resilientes e os jovens têm muito a dar para o mundo”, reconheceu.

Participação no filme uma experiência interessante

A actriz Isabel André conta que fazer parte deste filme foi uma experiência muito boa e interessante, pelo facto de ter interagido com actores de calibre internacional, como também com os próprios realizadores.

Por ser o primeiro filme angolano a entrar na Netflix, entende que é uma novidade que agrada a todos os angolanos. “O que eu vi nesse filme e que o difere de muitos outros em que já participei tem a ver com a seriedade na produção.

Não digo que aqui não são sérios, são sim, mas eles são sérios demais, começando pela pontualidade, cronograma de filmagens, composição das equipas e a delimitação de tarefas, o respeito pelo actor: sinceramente, senti-me mesmo uma rainha, desde o primeiro momento até ao último”, revelou.

Entretanto Neide van-Dúnem, que considera essa experiência única, está, juntamente com os seus colegas, extasiada, porque “o carinho dos angolanos tem sido sensacional, as pessoas aderiram, as pessoas apoiaram e isso significa muito mais do que qualquer coisa”, realçou a actriz.

Elenco

São produtores executivos designados António Didalelwa, Gerdina Didalelwa, e Jeremias Didalelwa. O filme tem a participação de actores angolanos como Paulo Americano, Raul do Rosário, Neide Van-Dúnem, Cigano Satyohamba, JD, Cage One, Dr. Stiv, Yuri Latino, Quim Fasano, Isabel André, Dalton Borralho, Rosária Maduca Bernardo, Nelo Jaz, entre outros. E ainda conta com um elenco de actores sul-africanos, como é o caso de Rapulana Seiphremo, Nompilo Gwala, e vários outros. Como também conta com a aparição de actores de carreira internacional. Trata-se de David O’Hora e Haheem Kae-kazim.

Críticas

O filme não escapou do olhar clínico do realizador Hochi Fu, que, no seu pensar, a película devia ter uma percentagem mais angolana do que tem, no sentido de haver mais gravações feitas no território nacional do que na África do Sul. Além disso, Hochi não deixou de elogiar o trabalho. “O filme foi muito bem realizado e tem uma boa fotografia, som e direcção. A história poderia estar melhor. Mas não posso reclamar muito, porque é Angola a vencer”, classificou. “Continuem a sonhar, continuem a realizar. Tenham esse filme como um empurrão. Vamos aproveitar esse filme para subirmos ainda mais”, incentivou.

 

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