Ambientalista alerta que mortes de baleias pode desequilibrar ecossistema marinho

O Instituto Nacional de Biodiversidade denuncia a existência de embarcações que em alto mar ferem este mamífero a tiro e, em 2018, o Governo colocou três espécies de baleias na lista vermelha dos animais ameaçados de extinção. Celebra-se hoje o Dia Internacional do Tubarão- Baleia

Por:Milton Manaça

Para o ambientalista João Buaio, as mortes constantes da baleia pode provocar o desaparecimento de outras espécies pelo facto de o mamífrero, ao longo da sua vida, armazenar uma grande quantidade de dióxido de carbono. Em declarações a OPAÍS a partir de Benguela, o ambientalista disse que as baleias são consideradas como as engenheiras do meio ambiente por servirem de equilíbrio do ecossistema marinho. “Elas vivem muito tempo e há literaturas que dizem que o dióxido de carbono que elas armazenam, uma grande quantidade de plantas não o fazem”, disse. João Buaio disse que outra importância para a sobrevivência de outras espécies reside no facto de os excrementos da baleia serem a base para a existência de micro-organismo que servem de alimentos para os peixes.

Por esta razão, Buaio considera que o meio ambiente “sofre muito” com a morte de uma baleia, particularmente o ecossistema marinho. O mestre em ambiente e ordenamento do território disse que as baleias vivem em locais com água fria e, no verão, migram das zonas polares devido ao aumento das temperaturas para as zonas tropicais, onde Angola se situa, em busca de conforto e cardumes para se alimentarem. João Buaio disse que apesar das baleias terem um mecanismo de comunicação forte, são bastante sensíveis, bastando uma falha na comunicação para ficarem desorientadas e durante o percurso que fazem podem adoecer e acabar por morrer. Em muitos casos, segundo o interlocutor, acabam por embater em embarcações no alto mar ou encalham em redes ao perseguirem os peixes e não resistem.

Entretanto, frisou que a intervenção humana com a poluição dos mares é outro dos factores que contribui para a morte das espécies. “Sempre que há derrame de combustíveis e deixamos plásticos no mar estamos a criar condições para que as pessoas não vivam muito tempo”, disse. Apelou, por isso, para a necessidade de haver maior fiscalização dos nossos mares por parte das autoridades em virtude das invasões que muitas embarcações estrangeiras têm feito, em muitos casos, sem qualquer regra o que coloca também em perigo as diversas espécies.

Feridas a tiro no alto mar 

Em 2018, o Instituto Nacional de Biodiversidade elaborou uma lista das espécies de animais e plantas de Angola extintas, ameaçadas de extinção, vulneráveis e invasoras de que faz parte também as baleias dos nossos oceanos. Da lista, consta a baleia sardinheira, baleia bossa e a baleia azul que figuram na categoria de espécies vulnerais. João Simão, técnico do referido instituto que participou em várias campanhas de resgate de baleias mortas, denunciou a existência de casos de baleias feridas a tiro no alto mar por tripulantes de embarcações pesqueiras e petroleiras.

Apontou como exemplo recente o caso de uma baleia que ain- “Elas vivem muito tempo e há literaturas que dizem que o dióxido de carbono que elas armazenam, uma grande quantidade de plantas não o faz” da chegou viva à costa do município de Cacuaco, tendo sucumbido horas depois. O técnico apontou a necessidade de se programar as actividades das embarcações no período de migração das baleias e organizar melhor o sistema nacional de sinalização marítima tendo em conta os acidentes que se tem registado. O Instituto de Biodiversidade diz que uma das soluções passa pela proibição de actividades de prospeções de petróleos no período de migração das baleias.

Sugere também que as embarcaçõe tenham observadores de mamíferos marinhos para identificar e criarem mecanismos de mitigação. Os técnicos lamentam o facto de não terem recursos técnicos e humanos para fazer a fiscalização em diversos aspectos do meio ambiente. O Instituto de Biodiversidade não dispõe de dados estatísticos de mortes deste mamífero, mas só nos últimos três anos, em Luanda, morreram mais de seis baleias, sendo a última uma filhota, da família Baleen Whaler, de cinco metros de cumprimento, na última Quinta-feira. Já na província de Benguela os dados apontam para igual número, sendo os município-sede e o da Baía Farta os mais afectados. Tendo em conta os últimos acontecimentos, foi criada uma comissão multissectorial, constituída por técnicos do Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente, Governo Provincial de Luanda, Instituto de Investigação Pesqueira, Serviços de Protecção Civil e Bombeiros e do Museu de História Natural

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