Banca Nacional sob pressão

Aumento do crédito estabelecido pelo Banco Nacional de Angola e redução de depósitos colocam os bancos comerciais sob pressão, considera o economista Paulo Santos

Por:Miguel Kitari

A situação de pandemia está a fragilizar muitas instituições e destapar fragilidades de outras. No caso da banca, o economista Paulo Santos considera que vive um período complicado, devido aos níveis de endividamento do Estado. “No corrente ano, a banca angolana pode ser caracterizada por ter o Estado como principal devedor na procura de financiar o défice fiscal, oferecendo garantias de juros acima do mercado aos bancos credores”, explicou. Adianta que este cenário alicia os bancos privados a preferirem ceder créditos ao Estado, não estando muito preocupados em financiar a economia de maneira geral, mesmo porque os juros do mercado são menos atractivos. Paulo Santos lembra que, reagindo à redução de concessão de crédito líquido da banca aos seus cliente verificado no ano passado em relação ao anterior, o BNA veio determinar que os bancos comerciais disponibilizem 2,5% da sua liquidez para concessão de créditos à economia, com particular realce para os projectos no âmbito do PRODESI, com garantias do Estado. “Esses dois aspectos tanto aumentam o risco de crédito assim como colocam a banca sob pressão de liquidez, facto que é agravado pela redução de depósitos causada pela pandemia”, considerou.

“Essa pressão poderá contribuir para a dívida mal parada e causar dificuldades na concessão de créditos pelos bancos, no caso de haver incumprimento nos pagamentos das prestações por parte das empresas devedoras, devido a problemas na implementação dos projectos consequentes da pandemia ou outros, que os tornem inadimplentes”, acautelou. Prossegue dizendo que, caso suceda, o Estado poderá ver as suas receitas fiscais estagnadas, ao mesmo tempo que estará sob obrigação de arcar com as dívidas dos empréstimos intermediados para o empresariado, por via das garantias concedidas, colocando a dívida pública numa situação mais grave. “A banca aparecerá, certamente, mais fragilizada porque o Estado poderá não ter liquidez suficiente para ressarcir as suas obrigações”, admite, acrescentando que nem para financiar a economia, sendo obrigada a lançar mão a outros meios creditícios”, vaticinou.

Pandemia na economia Real

Para o economista, a pandemia causada pela Covid-19 está a afectar o sector bancário por via do impacto negativo causado à economia real. Para ele, pode-se mesmo antever que “as empresas do sector terciário e as famílias serem afectadas por via da redução da actividade empresarial e, por conseguinte, da sua capacidade financeira, o que iria afectar a liquidez dos bancos deixando-os com menor capacidade creditícia. Essa situação cria um grande impacto na economia real, tendo lançado as economias de quase todos os países do mundo em recessão”, disse. Argumenta que a situação é resultado do afrouxamento das actividades empresariais no mundo, cujos danos continuam a crescer enquanto a doença não for controlada. No que diz respeito à banca, é uma situação que requer acompanhamento e tomada de medidas prudenciais correntes. Os efeitos da pandemia no sector bancário apresentam várias possibilidades comportamentais, o que irá depender do evoluir da própria pandemia nos próximos meses ou anos.

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