Carlos Damião, o empreiteiro que vê com bons olhos o PIIM

Português de origem, Carlos Damião actuan no sector da construção civil há mais de três décadas. Com a crise que se vive, garante que o Programa Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM) veio dar um novo alento ao sector

Proprietário de uma empresa de construção civil, Damião pisou o território angolano ainda na pele de cooperante, como o próprio frisou. Foi a extinta empresa Tetra que lhe havia dado esta oportunidade, momentos depois de se ter formado em engenharia de construção civil.

Três décadas depois, muita coisa mudou na vida deste antigo cooperante. Hoje está ligado à Ducap, como proprietário, uma construtora com as suas impressões digitais criada há 26 anos.

A crise tornou o mercado da construção civil menos atractivo. Já não se vêem as obras que outrora existiam em todo o lado, o que fez com que a dado momento o ex- Presidente da República, José Eduardo dos Santos, considera-se Angola como ‘um autêntico canteiro de obras’.

Carlos Damião não tem dúvida da crise que se vive, sobretudo neste sector que conhece bem. Já Carlos Damião não tem dúvida da crise que se vive, sobretudo neste sector que conhece bem. Já não fala numa competição saudável, porque o mercado ainda está direccionado.

Com o momento crítico que se assiste, o empreiteiro recorda que , infelizmente, com o boom dos anos de 1998 a 2000, assistiu-se o nascimento desenfreado de empresas de construção, entre nacionais e outras com parcerias estrangeiras. Algumas fizeram bem o trabalho e outras nem por isso, razão pela qual se esteja a pagar hoje uma factura muito pesada.

‘Por isso, muitas delas faliram’, garante Damião. Ainda assim, defende que existem a nível do país boas empresas, com óptimos engenheiros capazes de executarem boas obras. Para o nosso interlocutor, é necessário que se valorize mais a construção civil, porque o sector também contribui para o crescimento da economia nacional e a robustez do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Por isso, acredita que o Programa Integrado de Intervenção dos Municípios veio trazer essa valorização de que se necessita. “Não há crescimento económico, não há empregabilidade sem a construção civil. O Governo concebeu o PIIM, na minha opinião, num bom momento, porque este programa veio criar mais emprego”, explicou, acrescentando: “nasceram empresas específicas para o PIIM. A minha questão é: quando este programa terminar, o que é que estas empresas hãode fazer?

Exercendo também a função de presidente da Associação das Empresas de Construção existentes nas terras da Chela, Carlos Damião chama a atenção para a inexistência de pequenas indústrias. Uma situação que tem encarecido a execução do PIIM em muitos milhões de dólares norte-americanos.

“Neste Programa Integrado de Intervenção nos Municípios, com excepção da areia, da pedra, do cimento e do ferro, todo o resto é importado. Nós continuamos a dar milhões e milhões de dólares às empresas que importam tudo o que é necessário para a construção civil, como vidros, dobradiças, fechaduras , autoclismos e louça sanitária. Portanto, há aqui uma falha deste projecto. Continuamos a importar cerca de 50 por cento do valor, por isso parte vai para a importação do material”, detalhou.

Embora exista o PIIM, o empresário prevê um novo cenário de falências de construtoras a partir de 2021 e a criação de desemprego. Para que isso não aconteça, Damião aponta o seguinte cenário: “ou há uma linha de crédito para continuar a desenvolver o sector da construção, ou então no final de 2021 teremos grandes problemas com o fim dos projectos do PIIM”. Para se alterar o quadro, o presidente da Associação das Empresas de Construção Civil na Huíla defende a criação de médias e pequenas indústrias.

Apesar do momento sombrio, o construtor considera que Angola tem tudo para que alcançar os objectivos preconizados com menores dificuldades. Damião fala em falta de vontade política para se pôr em prática os vários planos de desenvolvimento.

“Enquanto se continuar a importar, a construção civil não vai ser a alavanca para o desenvolvimento económico do país. Se parte do dinheiro do PIIM fosse direccionado para a criação de pequenas indústrias, esse problema seria ultrapassado”, comentou, revelando que “somos um país grande, logo temos que pensar grande, mas os países que pensam grande têm de ter pelo menos uma pequena indústria. Aí poderemos crescer”, revelou.

POR: João Katombela

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