Família Paim recorda êxitos com “General Kambuengo” no comando da Live no Kubico

Família Paim recorda êxitos com “General Kambuengo” no comando da Live no Kubico

O projecto “Live no Kubico”, iniciativa da Televisão Pública de Angola em parceria com o portal Platinaline, trouxe neste Domingo, 30, como protagonista o músico e compositor Edurado Paim, também conhecido como “General Kambuengo”, que juntamente com alguns membros da sua família protagonizaram uma viagem épica aos vários sucessos do cantor, que leva uma carreira de mais de quatro décadas.

Sob o comando do “General”, devidamente acompanhado da banda Guelvamos, o concerto de aproximadamente três horas teve na sua essência o recordar de vários momentos musicais e dança, vividos, sobretudo, nas décadas de 1970 e 1980, no auge dos centros recreativos e culturais em que se evidenciava um forte movimento cultural nos vários quadrantes, sendo Eduardo Paim uma das peças fundamentais .

Por esta razão, a tarde de Domingo foi deveras especial, porquanto os telespectadores e internautas íam reagindo à entrada de qualquer música, manifestando um misto de emoções, saudades e recordações de tempos áureos do cancioneiro no que ao reportório de Eduardo Paim diz respeito.

Desse modo, o artista não deixou os seus créditos em mãos alheias e deu voz e vivacidade ao concerto, tendo começado a actuação com os temas “Te espero em Benguela”, “Foi aqui”, “Ilha maravilha”, “Problema”, “Como ela só tem ela”, “Coração partido”, tendo o artista encerrado a primeira parte com o tema “Minha Dalila”, dedicada à sua mulher, Isilda Gonçalves.

Na sequência, o concerto foi mudando de tonalidade e num primeiro momento “Kambuengo” chama ao palco o primeiro parente, seu sobrinho Jackes, que juntos interpretam “O que sonhei” e de seguida deixa-o interpretar “Pêra”. Prossegue o cabeça de cartaz com o recordar “Kutonoca” e “Som da Banda”.

Seguiu-se uma miscelânea em que se ouviram “Sem Kijila”, “Manhã de Domingo”, “Alucinação”, temas à época cantados pelos seus correligionários Ricardo Abreu, Luandino de Carvalho e Ruca Van – Dunem.

As emoções prosseguiram com a primeira homenagem feita pelos integrantes da primeira geração do grupo Yaka a Alberto Teta Lando, com uma coreografia de dança tradicional no tema de sua autoria intitulado “Ntoyo” o músico que, em 2019, foi prestigiado, a título póstumo, com o Prémio Nacional de Cultura e Artes na modalidade de música.

Momentos

O segundo momento da tarde retomou com o “General a interpretar “Perdão”, e voltando novamente ao tempo o misto musical que se seguiu foram para “Chikitita”, “Processos da Banda”, “Zambi Za”, “Minha Vizinha”, fechando o bloco com “Aí se te agarro”.

Vez de Burity e Diabik

O bailado Yaka voltou a entrar em cena desta vez para prestar tributo a Carlos Burity, falecido recentemente e estes deram vida a mais uma coreografia recordando o tema “Maria Alucase”, novamente pelos ex-bailarinos do Yaka representados por Florinda Miranda, Aninhas, Luísa, Stella, Cláudia, Betinha, Costa, Delon, Maninho, Youpop, Fotinho, Uau e Tatito.

Eduardo Paim regressa com mais um convidado, outro membro da sua família, o irmão Moreno Paim, que dá voz ao tema “Barona” de Fernando Graça “Diabik”, companheiro da extinta banda “SOS”. À tarde ía adentro e os sucessos seguiram-se com “Do Kaiaia”, “Zé Kiuaia” “Carnaval” e “Maié Maié” de Jacinto Tchipa. “Curtir Lisboa” e sequência dos hits “Xinguila”, “Vou para N’guenda” e “Merengue Santo Antônio” de David Zé, foram os momentos que se seguiram fazendo assim o “General” uma respeitosa vênia a esse senhor da música angolana que morreu aos 32 anos de idade no processo 27 de Maio de 1977.

General Kabuengo não ficou por aí e puxando pela banda, como um verdadeiro comandante, voltou à carga para dar voz ao tema “São saudades”, e na sequência apresentou um dos seus cartões de visita mais sonantes, tendo por isso chegado ao quarto lugar das músicas mais consumidas em Portugal. Trata-se de “Rosa baila”, chamando ao palco a bailarina Florinda Miranda para a respectiva coreografia.

Outros momentos

A “quentura” musical prosseguia contagiando e, nesse momento, Eduardo volta a chamar um outro irmão, Nelo Paim que, na ronquidão da sua voz, deu estética melódica ao tema “Kota Namé”, ao que se juntaram ao palco os demais membros da família e Nelo fez uma apresentação estonteante empunhado aos ombros o seu piano para um instrumental.

Da mesma linhagem familiar juntou-se ao palco o tio Prado Paim que fez questão, além da interpretação dos temas “Engrácia” e “Bartolomeu”, de mostrar o disco de outro ganho em 1974, sendo o “Papá Bolingó” a ser o primeiro angolano a conquistar tamanha distinção pela Companhia de Discos de Angola.

O Yaka voltou a entrar em cena e regressaram, outra vez, no tempo, numa viagem pelo ritmo pop, e com toda a garra encenaram nos compassos dos seus toques dançantes a música do trio britânico Imagination, “Heart’ and soul”.

Sobrou tempo para as despedidas, tendo os apresentadores anunciado o cartaz para a próxima “Live no Kubico” de 6 de Setembro, que vai contar com Tatá Ngana, Robertinho e Akapaná. Eduardo fechou a tarde exibindo no palco mais uma familiar que dedilhou, por alguns instantes, o seu violino e encerrou com um outro sucesso “Esse madié”.-