Histórico: 1º voo directo entre Israel e Emirados Árabes Unidos pousa em Abu dhabi

O primeiro avião a realizar um voo directo para os Emirados Árabes Unidos vindo de Israel pousou nesta Segunda- feira (31) na capital da nação árabe, Abu dhabi, com a presença de autoridades israelitas e norte-americanas

A decolagem do voo LY971 da companhia aérea El Al, partindo do aeroporto israelita Ben Gurion, foi transmitida por vários canais de televisão de Israel.

O avião teve a bordo delegações oficiais de Israel e dos EUA. À frente da delegação israelitas estava o presidente do Conselho de Segurança Nacional de Israel, Meir Ben-Shabbat, e dos Estados Unidos, o conselheiro para a Segurança Nacional, Robert O’Brien, o conselheiro sénior do presidente dos EUA, Jared Kushner, e o enviado norte-americano ao Irão, Brian Hook.

A conselheira do Presidente dos EUA, Ivanka Trump, escreveu no Twitter que é o primeiro avião israelita a atravessar o espaço aéreo da Arábia Saudita a caminho dos Emirados Árabes Unidos.

O voo durou pouco mais de três horas. A visita terá a duração de dois dias e incluirá várias reuniões de trabalho que antecipam a assinatura dos acordos sobre a normalização das relações e cooperação nas várias esferas entre Israel e os Emirados Árabes Unidos.

No âmbito da visita a Abu Dhabi, haverá também uma reunião tripartidária dos chefes das delegações: o presidente do Conselho de Segurança Nacional de Israel, Meir Ben-Shabbat; o conselheiro para a segurança nacional dos EUA, Robert O’Brien, e o conselheiro sênior do presidente dos EUA, Jared Kushner; e o Conselheiro de Segurança Nacional dos Emirados Árabes Unidos, Sheikh Tahnoun bin Zayed Al Nahyan.

Outros encontros do chefe da delegação israelita, Ben-Shabbat, com outras personalidades oficiais dos Emirados Árabes Unidos também estão na agenda da visita.

Israel e os Emirados Árabes Unidos concordaram há algum tempo em normalizar totalmente as relações. Num comunicado emitido em conjunto com os EUA, afirma- se que Israel, de acordo com o acordo com os Emirados Árabes Unidos, suspenderá a implementação da decisão de estender a sua soberania aos territórios da Cisjordânia.

Israel e os Emirados Árabes Unidos também planeiam assinar acordos de investimento, turismo, comunicação aérea directa, segurança, telecomunicações e outros nas próximas semanas.

Aproximação e críticas dividem árabes

No último Sábado (29), os Emirados Árabes Unidos anularam uma lei de décadas que proíbe qualquer forma de cooperação com Israel e seus cidadãos. Um boicote ao Estado judeu estava em vigor desde a criação dos Emirados como uma federação de monarquias no início dos anos 1970.

Os Emirados Árabes Unidos são o terceiro país árabe, depois do Egipto e da Jordânia, e a única monarquia do Golfo, a estabelecer laços diplomáticos formais com Israel. A Arábia Saudita tem suas próprias políticas de boicote a Israel e o Bahrein travou um movimento semelhante na semana passada.

As relações entre Israel e as nações do Golfo, incluindo os Emirados Árabes Unidos, têm se tornado cada vez mais cooperativas ao longo dos anos, com a hostilidade mútua ao Irão desempenhando um papel crucial para a reaproximação. O acordo que formalizou a nova realidade foi recebido com raiva em alguns países árabes como a Turquia, que acusou os Emirados Árabes Unidos de trair o povo palestino por interesses egoístas.

Opositor da aproximação árabe junto a Tel Aviv, o primeiro-ministro palestiniano Mohammad Shtayyeh declarou que o voo directo para Abu Dhabi contradiz os princípios da solução do conflito palestiniano-israelita, relatou a agência de notícias palestina WAFA.

“Estamos assistindo com dor a aterrissagem do avião israelita nos Emirados [Árabes Unidos], o que é uma violação óbvia da posição árabe mantida no conflito árabe- israelita”, disse ele. Shtayyeh acrescentou que a Palestina apoia a posição árabe que rejeita a “normalização desinteressada” das relações com Israel. Os líderes palestinianos condenaram o acordo Emirados-Israel, alegando que isso quebra o consenso árabe de não estabelecer relações com Israel antes de um acordo de paz ser assinado.

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