Histórico da FNLA afirma que crise instalou-se por causa de dinheiro

O antigo secretário-geral da Frente Nacional de Libertação de Angola, Alberto Mavinga, acusa o presidente da FNLA, Lucas Ngonda, de ser o principal causador da crise que neste momento assola o partido dos irmãos, sustentando que tal se instalou por causa de dinheiro

Em declarações a O PAÍS em Benguela, reagindo à crise interna no partido de que é membro há mais de 40 anos, Alberto Mavinga disse que tinha alertado o secretário- geral demissionário, Pedro Dala, para o perigo que Lucas Ngonda representava no partido dos irmãos, porque, segundo argumenta, o político utiliza as pessoas como “louça descartável”.

Por causa de crises cíclicas no partido, Mavinga revela que, em 2017, a FNLA só conseguiu registar- se no Tribunal Constitucional e, consequentemente, concorrer às eleições gerais, graças à benevolência do antigo Presidente da República.

O histórico do partido fundado por Holden Roberto assevera, porém, que José Eduardo dos Santos entendia, na altura, que, dada a relevância histórica da FNLA, aquela agremiação política não merecia ficar de fora da maior festa da democracia, no caso as eleições.

“Ele (Ngonda) estava com dificuldade de juntar as assinaturas em 2017. Nós fizemos tudo, pedi a todos que apoiássemos a candidatura e não olhássemos para o Lucas (…) Eu chamo Lucas Ngonda de extraterrestre, ele não vive aqui”, acusa o político, reforçando que a crise se deve à questão financeira.

Nos últimos tempos, continua o correligionário de Ngonda, o secretário- geral a quem o presidente demitiu teria orientado os secretariados provinciais a passarem a depositar as quotas mensais na conta de Abílio da Costa.

Segundo Alberto Mavinga, este facto não teria agradado alguns membros do partido, levando a que Ernesto Cristão denunciasse publicamente.

Quando o presidente se apercebe de tal irregularidade, decidiu demiti- lo das funções, por, alegadamente, não comungar com a sua filosofia.

“Ele sabia que Kumbi estava a preparar-se para se candidatar (à presidência), mas não o incomodou. O que o incomodou foi saber que ele estava a receber dinheiro das províncias”, esclarece.

Socorrendo-se da perspectiva filosófica do teólogo Júlio Chipenda de que, na natureza, tudo que não cresce morre, o antigo secretário-geral antevê para a sua FNLA uma possível “morte”, ou seja, extinção, caso não haja entendimento entre os irmãos desavindos.

Secretariado queixa-se de falta de apoio de Ngonda

Membros do secretariado provincial da FNLA, em Benguela, queixam- se da falta de apoio material e financeiro por parte da estrutura central do partido.

Na sede do partido, para onde se deslocou a reportagem de O PAÍS para saber se o secretariado local estava ou não alinhado com o secretário-geral demissionário, como ele teria feito crer, membros justificaram a falta de visibilidade no cenário político local com a falta de recursos financeiros para realizar determinados actos.

Um alto responsável no secretariado, que falou sob anonimato, não entende as razões que levaram o presidente Ngonda a demitir o seu secretário-geral, alertando, porém, que, com a crise ora instalada, a força política estará a caminhar em direcção a um precipício sem volta.

O secretário provincial da FNLA em Benguela, Tussamba Manuel, considera prematuro tomar partido de uma das partes. Numa conversa via telefónica, o político sustentou que não foram informados sobre a demissão de Pedro Dala, tão pouco consultados por este último.

POR: Constantino Eduardo, em Benguela

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