Outra vez a IURD

O Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro foi, ontem, palco da gravação de mais uma novela em que diziam estar envolvido o bispo Honorilton Gonçalves, o principal rosto da Igreja Universal e homem de confiança de Edir Macedo.

O que se disse, ontem, é que o religioso, tido como a peça fundamental no furação que ainda varre a referida congregação, desejava abandonar o país. É a ele que os bispos angolanos acusam de práticas de racismo e de ter dito, de acordo com testemunhos divulgados na imprensa, que não aceitava que um ‘preto’ lhe rendesse na liderança. É ainda descrito como sendo detentor de uma fortuna de milhões de dólares e operador do esquema que tem feito vazar, para o exterior, avultas somas.

Diz-se que se se tivesse afastado da confrontação, usado alguma ginástica no trato com os seus irmãos angolanos, a polémica teria sido resolvida dentro dos templos da Igreja Universal do Reino de Deus. Não haveria, a esta hora, sete catedrais encerradas pelas autoridades angolanas, funcionariam normalmente, salvando almas e amealhando mais uns milhares ou milhões de dólares norte- americanos para a obra de Deus e do próprio Edir Macedo.

A importância de Honorilton Gonçalves para a descoberta da verdade nas acusações que pendem sobre a IURD é fundamental. Disso não há dúvidas. Mas é preciso que exista prudência e argúcia para não se permitir que os processos se configurem naquilo que sectores políticos brasileiros preferem considerar ‘perseguição política’ e ‘restrição à liberdade religiosa em Angola’.

No comunicado publicado pela representação afecta ao líder brasileiro Macedo, garantem que o bispo ‘estava em casa no momento do referido embarque, não tinha, nem nunca teve sequer bilhete em seu nome, ou estava na lista dos referidos passageiros, nunca houve qualquer menção ou intenção de se ausentar do país no referido vôo’.

O bispo acusado e esposa negam que tivessem tentado sair do país. A sua companheira diz que se dirigiu ao aeroporto para se despedir das esposas de outros pastores. Claro que se pode configurar numa versão com outros propósitos e contornos.

Mas, em todo o caso, para um desfecho que seja do agrado do Executivo será preciso cautela. Além da batalha jurídica, a contenda passará, inequivocamente, pelos órgãos de comunicação social e por cenários que não criem uma corrente de opinião que chamusque quem pretende ver reposta a ordem.

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