Taxistas clamam por descentralização dos locais de testagem

A Comissão Multissectorial para o Combate à Covid-19 iniciou, ontem, a testagem massiva num universo previsto a cinco mil taxistas, nos municípios do Cazenga e Cacuaco, sendo que amanhã será em Viana, todos da província de Luanda

Os taxistas da cidade de Luanda e os seus ajudantes (vulgo cobradores) começaram a ser testados, ontem, nos municípios de Cazenga e Cacuaco, no âmbito do programa de realização de testes em massa a grupos vulneráveis, depois de terem sido testados, na semana passada, 10 mil efectivos da Polícia Nacional.

José Fernando, que chegou por volta das 7 horas para ser testado, disse que no princípio se registou desavença, porque estavam apenas a exigir taxistas que têm passe de uma associação. Isso causou descontentamento, porque nem todos pertencem a uma associação ou staff. Entretanto, chegaram a um consenso e a testagem em massa ficou organizada.

Com o seu resultado negativo em mão disse estar feliz, porque andou preocupado com essa situação por se tratar de um vírus invisível e as pessoas nunca sabem quando estão infectadas.

O jovem taxista, que está a fazer esse trabalho há um ano por causa da crise do país, conta que geralmente faz a rota dos Congolenses a Viana. O mesmo é de opinião que os serviços de testagem devem ser descentralizados para se evitar aglomerados e possível infecção.

Em entrevista a OPAÍS, o Secretário provincial para mobilização da Associação da Nova Aliança dos Taxistas, Luís Mingas disse que os taxistas aderiram em massa em função da alteração do local em menos de 24 horas.

Segundo o responsável, inicialmente estava previsto decorrer na Escola Nacional de Saúde Pública, no Morro Bento e, faltando poucas horas, ficou definido que seria no marco histórico do Cazenga e em Cacuaco com a testagem de 1.000 pessoas, em cada local, e na quarta-feira no município de Viana, com igual número.

Numa primeira fase serão testados três mil, e os dois mil testes que ficarão serão alocados para outros municípios de Luanda, uma vez que o total são cinco mil testes para taxistas. Luís Mingas trabalha há 22 anos como taxistas e diz que já percorreu a cidade de Luanda. Actualmente faz a rota do Benfica- Cacuaco.

Amanhã os testes serão no município de Viana

O Presidente da Associação Nova Aliança dos taxistas de Angola (ANATA), Francisco Paciente, disse que no princípio registaram algumas dificuldades organizativas, mas depois foram superadas.

Por outro lado, contou que a falta de comunicação fez com que centenas de taxistas ávidos a testar na Escola Nacional de Saúde Pública não comparecesse, devido a tardia informação, em menos de 12 horas, da mudança do local da testagem.

“Esperamos que os serviços de testagem seja descentralizado. Já solicitamos ao vice-governador para área social e ao director provincial de saúde para que, nos próximos dias, se alargasse a testagem para os demais municípios. É boa a iniciativa e já estamos no Cazenga, Cacuaco e, na Quarta-feira, em Viana”, disse.

Por outro lado, espera que a testagem chegue nos municípios de Belas, Talatona, Luanda e Icolo e Bengo, por causa das dificuldades que muitos têm de sair do Ramiro para chegar ao Cazenga e a descentralização ajudaria esses taxistas.

Actualmente Luanda tem cerca de 40 mil taxistas, dos quais 17 mil são membros da ANATA. Por essa razão, Francisco Paciente acredita ser um número ínfimo de testes. “Num universo de 40 mil, estamos a falar de 5 por cento. De acordo com as autoridades é um dado que as autoridades pretendem ter para se ter uma amostra suficiente”, salientou. No entanto, explicou que de acordo com os especialistas, cinco mil testes é um número suficiente sobre o grau de infecção aos taxistas”, contou.

O secretário de Estado para a Saúde Pública, Franco Mufinda esclareceu a OPAÍS, que o número de taxistas em Luanda está acima de 30 mil e vão fazer uma amostra a cinco mil, numa primeira fase, e quando a capacidade aumentar vão testar toda a população, mas nessa fase estão a escolher grupos de riscos.

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