Viana lidera casos de crianças malnutridas

A Comissão Episcopal de Justiça e Paz e Migrações, ligada à Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), apresentou ontem, em Luanda, o relatório sobre a monitoria, realizado em 2019, ao sector de Saúde da província de Luanda e Bengo. deste processo consta que as crianças de 1 a 5 anos com malnutrição moderada ou aguda representam um total de mil e 897, com o município de Viana a liderar

O Secretário-geral da Comissão Episcopal de Justiça e Paz e Migrações (CEJPM), Celestino Epalanga, disse que das 45 unidades de saúde monitoradas, 37 foram da província de Luanda, onde mil 897 crianças, entre os quais 991 masculinos e 906 femininos sofrem de malnutriçao moderada ou aguda, sendo que os números mais altos e grave se encontra no município de Viana.

Uma das preocupações que levaram a CEJPM a realizar a monitoria ao sector da saúde é a mortalidade infantil. Celestino Epalanga defende que todo o cidadão tem directo de viver, e cabe ao adulto, os responsáveis, criarem as condições e Angola, infelizmente, ainda figura entre os países cuja mortalidade infantil é elevadíssima.

“Nós temos muitos males e a saúde mexe directamente com a vida das pessoas. Sempre que vou ao cemitério, na qualidade de sacerdote, faço uma espécie de constatação, estatística e a quantidade de pessoas que são enterradas, na sua maioria muito jovens, é de lamentar. Pretendemos ajudar a inverter o quadro”, disse.

Antes da Covid-19, alguns podiam ir para exterior do país resolver as suas questões de saúde, mas, ainda assim é um número ínfi mo, sendo que a grande maioria e os pobres passam grandes dificuldades. Lembrou que recentemente realizaram caravana solidária em três Sábados consecutivo, de assistência medicamentosa às populações mais vulneráveis, na localidade do Ramiro, e constataram que o bairro, onde reside mais de 15 mil famílias, não tem nenhum posto de saúde, e o único que existe é privado.

Unidades sanitárias fecham-se

Quanto os constrangimentos, disse que encontraram receio e timidez em algumas unidades sanitárias em receber a sua equipa, viam-lhes como pessoas que pretendiam denegrir a governação, o que não é a intenção, mas sim, o de participar na construção do país, que passa também em melhorar o sistema de saúde.

Quanto à província do Bengo, Celestino Epalanga afirmou que em muitos aspectos está melhor que Luanda, facto que acredita que se deve, sobretudo, à densidade populacional, sendo que Luanda está congestionada.

Depois da apresentação do relatório, a equipa elabora um plano de advocacia, onde se enquadra a reunião com a ministra da Saúde, “para mostrar o que constatamos in loco, pois é importante que tenham esse estudo independente”.

Actualmente trabalham com os órgãos da sociedade civil, os distintos governos provinciais, com objectivo de melhorar a situação que considera dramática em questões de saúde, nas duas províncias onde trabalharam.

Questionado se a monitoria se vai estender também noutras províncias do país, para além de Luanda e Bengo, Celestino Epalanga disse que apesar de monitorarem realidades sociais, o serviço depende dos financiamentos disponíveis.

Do trabalho já realizado contaram com apoio da Igreja Norueguesa. Se houver recursos financeiros, as próximas províncias serão Benguela, Malanje e Huambo. Por agora o que já está em carteira, é a monitorização das obras do PIIM, relacionadas ao sector da Saúde, desde as reabilitações e construção, pelo que prevêem disponibilizar o relatório até Dezembro

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