e assim… O próximo passo de chivukuvuku

O conteúdo da entrevista que concedeu à Rádio Eclésia, um palco usado, frequentemente, pelo político, quando sente necessidade de dizer algo, prenuncia uma certa capitulação em relação às pretensões iniciais de liderar um partido. A criação do PRA-JA Servir Angola seria uma fuga em frente para evitar os erros cometidos na CASA-CE. O fulgor inicial contrastou com as divergências registadas.

A diversidade de actores transformou este projecto, que chegou a ser descrito como terceira via, numa salada de frutas, com vários sabores, prazeres, sonhos e tendências. Não tendo saído do papel, embora o seu lugar-tenente Xavier Jaime tenha manifestado que seria apresentado nos próximos dias um novo recurso ao Tribunal, não deixa de colocar este político num dilema.

Apesar de ainda manter um certo carisma, as contas de Abel já levam um partido, a UNITA, onde foi líder da bancada parlamentar, secretário para os assuntos políticos e eleitorais, na era Samakuva, e candidato derrotado, assim como na CASA-CE que presidiu e acabou afastado. O PRA-JA Servir Angola seria, na verdade, a mola de que tanto necessitava para prosseguir com a ambição de lutar para chegar ao Palácio da Cidade Alta, um dos seus mais ardentes desígnios.

O que é louvável. Daí que um retorno à UNITA só seria viável se já não manifestasse tal pretensão, uma vez que Adalberto Costa Júnior não quererá se ver privado desta prerrogativa estatutária, mesmo que não vença em 2022. Por outro lado, no seio da UNITA, um partido mais conservador que o MPLA, é pouco provável que se estenda um tapete vermelho para receber aquele que um dia fora descrito como filho pródigo. E a forma como este se afastou fez com que se reabrissem feridas.

Há quem hoje ainda se lembre do que Jonas Savimbi terá dito, especificamente que não sabia se este (Chivukuvuku) ‘era peixe ou carne’. O mais provável é que Abel continue a jogar noutras paragens. Acenar aqueles que não foram extintos nas eleições passadas poderá ser uma das melhores opções. A não ser que esteja sensibilizado de que agora pode não ser a figura principal em qualquer organização em que mergulhar.

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