Filme “Para Lá dos Meus Passos” coloca realizadora angolana no pódio do Festival de Documentários da África do Sul

depois do Festival de Documentário da África do Sul, “Para Lá dos Meus Passos” seguirá para a 11ª edição do San Francisco Dance Film Festival, nos Eua, em outubro

A realizadora angolana Kamy Lara conquistou, recentemente, o terceiro lugar no pódio da 22ª edição do Festival Internacional de Documentário da África do Sul, que distingue o melhor filme realizado por uma mulher africana. Uma iniciativa da Fundação Ladima em parceria com o festival, o prémio tem como objectivo reconhecer e incentivar mulheres africanas a contarem as suas histórias através do documentário.

Em entrevista ao jornal OPAÍS, Kamy contou que foi com muita alegria que recebeu a notícia de que o filme tinha sido seleccionado para o referido evento. “No ano passado, a Paula Agostinho (co-realizadora e produtora do filme) e eu, tivemos a oportunidade de estar na 21ª edição do mesmo festival enquanto fazíamos a finalização do documentário “Para Lá dos Meus Passos” em Cape Town, África do Sul. Mal sabíamos que um ano depois o nosso filme seria um dos seleccionados. Por isso, foi ainda mais simbólico”, partilhou.

Este ano, por causa da pandemia, o festival aconteceu apenas em formato online, o que por um lado possibilitou que mais pessoas tivessem acesso aos filmes, mas, por outro, retirou às realizadoras a possibilidade de estar no festival e poder trocar ideias com outros realizadores e produtores.

Quanto à terceira posição, disse ser um lugar que lhe deixa muito orgulhosa e que recebe como forma de reconhecimento por todo o trabalho que desenvolveu para o filme, sob a forma de incentivo com a finalidade de continuar a trabalhar e a contar histórias através da sua lente. Assim, na primeira posição do concurso ficou a etíope Tamara Mariam com o documentário “Finding Sally” e na segunda a sul-africana Sara Christina Ferreira de Gouveia, realizadora de “Mother to Mother’”.

Filme retrata a dança Adiante, “Para Lá dos Meus Passos”, produzido pela Geração 80, com a Companhia de Dança Contemporânea de Angola – CDCA, o documentário foi realizado por Kamy Lara e produzido e co-realizado por Paula Agostinho. Com duração de 72 minutos, a película usa o espectáculo como ponto de partida para acompanhar a reflexão dos bailarinos sobre os temas explorados ao longo da peça: as suas origens, as suas tradições, a perda de identidade e a construção de uma nova, imposta pelo tempo e pela mudança de uma zona rural para uma Luanda urbana.

“Uma história semelhante para tantos angolanos e angolanas”, lê-se. Durante a criação da peça “ (Des) Construção” da coreógrafa Mónica Anapaz para a temporada de 2017 da Companhia de Dança Contemporânea de Angola, cinco bailarinos exploram os conceitos de tradição, cultura, memória, identidade, questionando a transformação e a desconstrução destes temas nas suas próprias vidas. A maioria deles – provenientes de outras províncias do país – traz consigo memórias e tradições ao se mudar para a movimentada, errática e frenética realidade da capital.

Outrossim, Kamy continua expectante com os próximos passos que o filme dará, tendo revelado que a próxima paragem confirmada será em São Francisco (EUA) no 11ª edição do San Francisco Dance Film Festival que acontecerá também em formato online, durante o mês de Outubro.

Percurso

Kamy Lara nasce na década de 80, com uma Angola já independente. Foi em Luanda onde passou a sua infância e adolescência. Aos 18 anos muda-se para Lisboa para frequentar o Curso Superior de Audiovisual e Multimédia com uma especialização em Câmara e Iluminação. Assume, em 2010, a função de assistente de câmara na longa-metragem “A Espada e a Rosa” de João Nicolau, bem como na série francesa “Maison Close” de Mabrouk El Mechri. Em 2010 regressa a Angola e integra a Geração 80 no projecto “Angola – Nos Trilhos da Independência”, que resulta no lançamento do documentário Independência em 2015, desempenhando as funções de Directora de Fotografia, Assistente de Realização e membro da equipa de edição.

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