SINPROF contra a transição automática no ensino primário

Depois de se ter batido por cerca de 18 anos contra a monodocência na 5ª e 6ªclasses, o Sindicato Nacional de Professores (SiNProF) diz que vai virar as suas baterias agora para que a Educação acabe com a transição automática dos alunos da 1ª e 3ª que não os requisitos básicos de leitura, escrita e cálculo

Para o presidente desta força sindical, Guilherme Silva, é necessário começar a olhar-se, a partir deste momento, para a qualidade do ensino perdido nas quase duas décadas e não permitir que os alunos transitem sabendo ou não. Guilherme Silva disse que não faz sentido um país que almeja elevar os resultados na Educação para o seu desenvolvimento ter-se turmas numerosas e os alunos transitarem mesmo não desenvolvendo as competências essenciais exigidas nestas classes. Em declarações a OPAÍS, o responsável defendeu que não faz sentido justificar a transição dos alunos só com a premissa de que a criança não pode ser retida na mesma classe durante dois anos.

“Nós não temos condições estruturais para o efeito, porque nos países onde isso ocorre as turmas não têm mais de 25 alunos. Em Angola temos turmas muito populosas com 70 a 100 alunos”, disse Guilherme Silva para quem esta situação contribui negativamente para o estado actual do ensino em Angola. Com a realidade das turmas actuais, Guilherme Silva realça que é difícil formar alunos capazes de competir de forma igual com as crianças de outras realidades do mundo. “Depois dos danos graves causados em quase duas décadas é necessário repensar a nossa educação”.

Outros males que o SINPROF aponta para o ensino primário, em particular, tem a ver com a escassez de manuais que não chegam a todos ou, em alguns casos, chegam atrasados aos destinatários. A falta de merenda escolar e o longo percurso que os alunos fazem para chegar à escola e viceversa, principalmente nas zonas rurais, constam também das preocupações do sindicato.

“É preciso também melhorar as infra-estruturas escolares, porque motivam os alunos a irem à escola. Temos que estudar a configuração das nossas salas de aula e o modelo de escola que queremos para o nosso país”, disse e acrescentou. “Acabou-se com a monodocência na 5ª e 6ª classes, mas é importante não insistir no erro, como fizeram nos mais de 15 anos. Hoje, o tempo deu-nos razão e espero que desta vez o Ministério da Educação leve em conta o nosso parecer”, frisou.

Monodocência assistida

Importa frisar que no dia 12 de Agosto do corrente ano, o Executivo extinguiu a 5ª e 6ª classes da monodocência anulando a exigência de um professor dar aulas em até nove disciplinas distintas. A decisão veio expressa em Diário da República Iª Série, nº 123. Entretanto, o sindicato espera que com a decisão, o Ministério da Educação (MED) esqueça a ‘monodocência assistida’, cuja proposta do sector visa a sua implementação já para o ano lectivo 2021, conforme anunciou OPAÍS na edição de 24 de Fevereiro do corrente ano.

A monodocência assistida previa o aumento de disciplinas de seis para oito, na 1ª a 4ª classe, e de nove para 11 , nas 5ª e 6ª classes, tal como consta na proposta em posse deste jornal. “O documento orienta a extinção da monodocência nas duas classes que, a partir de agora, deve ter um professor para cada disciplina. O MED não deve ter receio e vergonha de regressar à primeira forma”, realça o presidente do SINPROF. Defende por outro lado, o aumento da fatia do Orçamento Geral do Estado (OGE) atribuída à Educação. Angola atribuiu nos últimos anos, no OGE, à Educação, 3.42%, em 2018, 6.46%, em 2019, e 4.52%, em 2020. Os números estão muito distantes da cifra 20% recomendada pela SADC

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