Analista político aconselha Ngonda a abandonar liderança da FNLA

esta é a posição defendida pelo académico e analista político da província da Huíla, em entrevista exclusiva ao PAÍs

Luís Paulo Ndala, formado em Filosofia pelo Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED/Huíla), convidado a comentar a crise interna de liderança da FNLA, afirmou que a mesma agravou-se com a suspensão, recentemente, do secretário-geral Paulo Mocombo Dala. Explicou que a origem da crise interna na FNLA assenta em oito elementos fundamentais, que devem ser bem estudados para que se encontre uma solução do problema. Entre os oito elementos que fomentam a crise interna no seio do partido dos “irmãos”, Luís Paulo Ndala destaca a falta de cultura democrática, a apetência por bens materiais por parte do actual líder, a centralização do poder numa única pessoa, o despreparo para o debate, a existência de forças de bloqueio ao nível externo e o dogmatismo político. No seu entender, o dogmatismo político em que ainda se encontra a FNLA, faz com que esta força política na oposição não opere algumas alterações nos seus estatutos.

“O dogmatismo politico é uma teoria importante para analisarmos a crise interna na FNLA. Segundo esta teoria, os conservadores acham que as coisas devem manter-se ainda que estejam erradas e Lucas Ngonda está a usar esse principio”, disse. Para o analista político, Lucas Ngonda acha que “está nos anos 50, não faz renovação dos estatutos, mesmo que o contexto o justifique, é preciso saber que quando os jovens abandonam ou não aderem a uma organização, isso significa que esta é conservadora”, sustentou.

Em relação à falta de cultura de democrática, o nosso interlocutor explicou que Lucas Ngonda não respeita este princípio pelo facto de não aceitar a realização de eleições no partido. Acrescentou que, por não aceitar eleições internas em todos os níveis do partido, expulsou o seu secretário-geral em plena conferência de mprensa. “Um partido que tem no seu estatuto a renovação de mandatos dos órgãos e dos organismos, tem período em que tem que se realizar eleições para se eleger os novos órgãos com a excepção do presidente, já que a maior parte dos estatutos dos partidos não limita os mandatos”, explicou. O entrevistado deste jornal sublinhou que o facto daquele partido não poder realizar congressos, adiando sempre, algumas vezes com justificações pouco claras, o seu líder está a violar os estatutos.

Plano de crise

Como solução, Luís Paulo Ndala aponta ainda a criação de um plano de crise, a redefinição de planos, objectivos e aspirações dos militantes do partido, a conciliação de vontades dos membros. “Umas das soluções para a saída da FNLA da crise em que se encontra é a retirada de Lucas Ngonda da presidência do partido. A saída de Ngonda vai dar estabilidade ainda que for temporária à FNLA”, assegurou.

O analista político aponta alguns cenários que possam surgir caso estes aspectos não sejam observados pelos membros da FNLA, ou seja, esta força política corre o risco de desaparecer da arena política nacional.

Fundação da FNLA

A Frente Nacional de Libertação de Angola(FNLA), é um movimento político fundado, em 1954, com o nome de União das Populações do Norte de Angola (UPNA), assumindo, em 1958, o nome de União das Populações de Angola (UPA). Em 1961, a UPA e um outro grupo anti-colonial, o Partido Democrático de Angola (PDA), constituíram conjuntamente a FNLA Esta organização política, foi um dos movimentos nacionalistas angolanos durante a guerra anti-colonial de 1961 a 1974, juntamente com o MPLA e a UNITA.

Nas últimas eleições de 2017, a FNLA conseguiu cerca de 61.394 votos, valendo-lhe apenas um deputado na Assembleia Nacional. Vive uma crise de liderança há 23 anos, depois de Lucas Ngonda, antigo secretário para a informação ter rompido com o presidente fundador daquele partido, Holden Roberto, tendo levado consigo um grupo de militantes para criar um movimento de reformas, mas sem sucesso.

Em 2004 realizou-se em Luanda um conclave denominado Congresso da Reconciliação, ainda com a presença de Holden Roberto, cujo propósito era a reunificação das partes desavindas, mas também não teve êxitos. Passado esse tempo todo, continua a fragmentar-se cada vez mais, estando nesta altura com quatro alas, designadamente, a de Ngola Kabangu, Fernando Pedro Gomes, Tristão Ernesto e João Nascimento.

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