Covid e política

A sempre apaixonante política portuguesa tem estado ao rubro nos últimos dias, por causa de uma festa. Não se trata de uma festa qualquer, mas tão-somente a do Avante, que é realizada há vários anos pelo Partido Comunista Português (PCP).

Apesar de ter uma expressão quase minúscula no referido cenário político, o histórico PCP ainda assim tem peso na actual conjuntura. Os comunistas são parte integrante da famosa geringonça que dá suporte ao governo do primeiro-ministro António Costa, do Partido Socialista.

A razão da polémica é a necessidade ou não da realização de uma actividade do género numa fase em que a Covid-19 não desarma na Europa, assim como em Portugal. Os números disparam, havendo até países que regressaram para um confinamento mais rigoroso.

O debate de lá deveria servir também para análise aqui. Pede-se aos cidadãos um severo confinamento e respeito por determinadas medidas de segurança, mas entre as formações políticas parece não existir o mesmo cuidado e sentido de Estado.

Exceptuando os encontros pontuais dos órgãos mais restritos destas agremiações políticas, tem sido possível divisar pelas redes sociais a publicitação de actividades, em Luanda e no interior, de encontros que podem se transformar em autênticos laboratórios de disseminação da Covid- 19.

Quem acompanha sobretudo as redes sociais, nesta fase de pandemia, tem visto inúmeras actividades onde se desrespeitam regras elementares como o distanciamento, o uso de máscaras e até as limitações quanto ao número de participantes.

Os políticos, muitas vezes, sentem- se como integrantes de uma casta especial. Isso não é verdade. Numa sociedade normal, eles deveriam portar-se como modelos. O que exigem sobretudo aos seus apoiantes, quando tencionam fazer boa figura nas capas de jornais, entrevistas nas rádios ou nos espaços informativos ou de debates na televisão, deveria ser, em primeira mão, defendido por eles.

As autoridades deveriam estar de olho também nestas movimentações partidárias. Não há só possibilidade de contágio nos restaurantes, mercados e táxis. O que temos visto em muitos encontros políticos deveria acender igualmente a luz vermelha.

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