Editorial: Não matem Neto!

Jornal OPaís edição 1949 de 03/09/2020

Setembro tem sido um mês de festa. É o período em que se comemora o Dia do Herói Nacional em alusão ao nascimento, a 17 de Setembro, do poeta- maior, António Agostinho Neto, que falecera sete dias antes, em 1978.

Quis o destino que, traiçoeiramente, numa fase em que se espera pelas celebrações de mais um ano, uma situação incómoda na Suíça, envolvendo Carlos São Vicente, antigo responsável da petrolífera Sonangol e das AAA, por causa de 900 milhões de dólares surgisse para que alguns sectores tentassem chamuscar a imagem de Agostinho Neto.

Mesmo que o empresário esteja ligado a um membro da sua família, não faz nenhum sentido pretender-se associar ou assassinar politicamente o fundador da Nação. Tentar ligar por causa de um laço que nem sequer existia quando este foi vivo demonstra, de certo modo, não só uma insensatez ética e política dos seus detractores, como também a busca de argumentos ignóbeis

. A dimensão de Agostinho Neto, por mais que não se queira reconhecer, está muito longe de ser associada a actos de corrupção e muito menos a indivíduos que tenham usado os seus cargos e influências para se enriquecerem ilicitamente. E no caso em apreço, até porque ainda está em avaliação, tanto por parte das autoridades angolanas quanto das autoridades suíças, rebuscar as teses que se vão ouvindo, lendo e até assistindo não só roça a desespero como também a uma autêntica falta de respeito. Neto é aquele que um dia teve a missão de proclamar para todo o mundo a independência de Angola. E ponto final.

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