Horizonte Njinga Mbande regressa aos palcos em modo “Live de teatro em casa”

Os grupos teatrais entraram na onda das “Lives”, devido à pandemia da Covid-19, com a qual o país e o mundo continuam a confrontar-se e, por essa razão, as actividades com público continuam suspensas

O “Live de teatro em casa”, que estreiou, no Domingo passado, 30 de Agosto, prossegue neste Domingo, 6, às 19 horas e 45 minutos, no auditório Njinga Mbande, com a peça intitulada “Segredos na cama”, do grupo com o mesmo nome. Trata-se de uma acção que está a ser promovida pela produtora Entretenimentos Waridu Audiovisuais e divulgada está a ser transmitida no Facebook da Platinaline.

Este projecto que será de carácter quinzenal, cujo arranque foi com a peça “Regresso marcante”, do referido grupo, tem como objectivo dar oportunidade aos artistas de outras disciplinas culturais, para que mostrarem os seus trabalhos nesta fase de pandemia.

Agnelo Henriques, um dos responsáveis da produtora, disse a este jornal que pretende-se com estas primeiras exibições despertar os outros grupos teatrais, por forma a aderirem ao projecto, nesta fase em que se aconselha o confinamento social, devido à pandemia da Covid- 19. “A área de marketing está já a fazer o cadastramento e análise das propostas apresentadas pelos grupos. Mas, com o grupo Horizonte Njinga Mbande temos já três peças fechadas, que serão exibidas este mês. Queremos com esta acção dar vida ao teatro”, avançou.

O jovem produtor contou que, durante a exibição do primeiro Live, realizado em mais de uma hora e 30 minutos, contou com mais de 50 mil visualizações. Com este marco, vários grupos ligaram a aplaudir a iniciativa, mostrando-se também interessados em participar na mesma.

Rendimentos

Agnelo Henriques lembrou que, apesar do pouco rendimento com este trabalho, que é realizado sem a presença do público, os artistas vão beneficiar de cachês. Realçou que, além dos apoios, o pagamento depende também de investimentos da produtora, pelo facto de os artistas não estarem a trabalhar para rentabilizar, neste período em que vivemos.

“Estamos a pagar os artistas, porque nesta fase eles precisam. O que nós estamos a fazer também é prepararmo-nos para o período pós-pandemia, para não relaxarmos, para que quando tudo passar, continuarmos no activo. Estamos a fazer as bases para dar seguimentos”, augurou.

Incentivo para realização

O produtor contou que, a iniciativa foi despontada através da realização de Lives com a cantora Ary, nos últimos meses, que teve uma adesão em massa do público. Devido a esta aceitação, criou-se o actual projecto, para assim beneficiar os artistas de outras disciplinas culturais, como o teatro, artes plásticas e a dança.“Isso nos obrigou a reflectir que a cultura não é só música, que existem outras disciplinas artísticas, que são desempenhadas por vários profissionais no nosso país. Por isso, vamos dar também oportunidade a outras pessoas, de mostrarem o seu trabalho. É provável que nem todos vão beneficiar nesta altura, mas pretendemos ser o mais.

AAT aplaude iniciativa

O presidente da Associação Angolana de Teatro (AAT), Adelino Caracol, considerou a iniciativa louvável, nesta fase em que a classe do teatro necessita trabalhar, para rentabilizar. Deseja que com esta acção, os produtores de eventos e outras entidades possam perceber que a cultura, na realidade, é um conjunto de performances, ligadas aos espectáculos.

“Fomos convidados a participar neste projecto e está a ser uma experiência muito boa. É uma linguagem completamente diferente, porque não há o feedback do público, de poder sentir o calor dos apreciadores, mas, de qualquer forma, não deixa de ser um exame muito interessante e estimulante também. Isso vai despertar muita gente, de que também é possível fazer Lives com teatro”, analisou o também director do grupo Horizonte Njinga Mbande.

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