Importação deve ser refreado a favor da produção nacional

O país não pode optar pela medida de ‘proibir por proibir’ as importações nem impôr taxas acima de 50%, dados os compromissos assumidos no concerto internacional das nações, mas pode equacionar medidas protectoras da sua produção para alavancar o desenvolvimento. O argumento é de algumas agremiações de produtores e empresários do sector agrário

A Associação Agropecuária de Angola (AAPA) “aplaude” a medida tomada pelo Executivo e sugere que devia ter sido extensiva a outros produtos que, de igual forma, já podem ser supridos com a produção local, se medidas consentâneas forem tomadas. “Ainda assim, a AAPA é de opinião que devia se estender um pouco mais esta lista.

As hortícolas, como a bata-rena, (e não a batata-doce), a cenoura, a alface, os repolhos, as couves, o pepino, a melancia, tomate, o quiabo, a manga, laranja, maçã, banana e outros deviam ter entrado neste grupo. Para nós a facilidade devia ser apenas a produtos para fins industriais”, afirmou Pedro Carlos Pinto, membro da associação, no programa Debate Livre da Tv Zimbo esta Terça-feira, 1 de Setembro.

Para a associação, a medida tomada vai fazer com que se altere a forma de trabalhar do próprio camponês/produtor que terá de criar condições para melhorar a sua produção.

O empresário Carlos Cunha, um dos defensores da produção nacional, considera que o que houve foi um “desembraiar” no processo de importação para incrementar a produção nacional.

“Nenhuma economia do mundo consegue crescer sem desembraiar o poder aquisitivo no exterior. Angola tem solo, água e outras condições mas, durante muito tempo, priorizou-se a importação que banalizou a produção nacional”.

O empresário cita o exemplo da INDUVE que foi afectada no seu processo produtivo por um período de três meses pelo “excedente de fuba de milho que o mercado registou” em consequência de ter sido autorizada a importação o que levou aquela indústria a concorrer com uma de grande potencial.

“Hoje não é preciso ninguém autorizar. Acabou a ‘mão perigosa’. Podem importar mas pagam o imposto aduaneiro e a fuba torna-se incompetitiva e vamos proteger a indústria nacional. Falo da INDUVE mas podia falar de muitas que andam por aí. Esta é a única via: é tentar converter a proibição num instrumento e não no poder da pessoa que autoriza”.

Carlos Cunha ressalta que está na hora de acabar com o poder da caneta e destacar o poder da lei o qual deve ser devolvido à capacidade de penalizar e não ao homem que autoriza.

A Câmara de Comércio e Industria de Angola (CCIA) é outra das agremiações que “bate palmas à medida”, acreditando que a mesma vai fazer com que os seus membros incrementem a produção.

Para aquela agremiação, o país precisa dar oportunidade ao “made in Angola” como forma de criar postos de trabalho e riqueza ao invés de constantes desperdícios de divisas em importações.

Segundo a instituição, “é hora” de produzir no país e aproveitar a cadeia de valores do produzido no campo pela via da absorção pela indústria e manufacturar produtos de valor acrescentado capazes de competir com os feitos noutras paragens, particularmente na região da SADC, nosso primeiro mercado.

Em entrevista recente a OPAIS, Vicente Soares considerou a medida do Governo “acertada”, não querendo com isso dizer que, se está a fechar o mercado nacional aos produtos vindos do estrangeiro.

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