“Minimizar a situação não ajuda”

Kintombo Pedro alertou para o risco de se considerar que está tudo controlado, ao ponto de não haver consequências, porque, para os petizes, o impacto psicológico é muito forte, sobretudo nesse processo de assimilação dos conteúdos, do relacionamento que elas começaram a ter, acima de tudo, no bloqueio da inserção numa nova etapa de socialização.

“Minimizar a situação não ajuda, primeiro porque a mesma resulta de constatações visíveis e, segundo, porque nos cobra medidas de soluções adequadas”, observou o psicólogo, advertindo que especialistas da sua área deviam ser chamados a ajudar o Ministério da Educação, nesse sentido. Realçou que há um retardamento e bloqueio na conclusão da inserção na nova etapa de socialização que é a secundária, sendo que, neste contexto, fará com que, no caso de não existir um plano dirigido pelos pais, o que é a realidade actual, a situação tenda a piorar “Esse vínculo que se criou e está a romper-se vai fazer comque a criança, quando for chamada a regressar à escola, encontre enormes dificuldades para reiniciar”, avisou.

Finalistas com frustrações a reparar

Aos alunos que se encontravam a finalizar níveis de ensino, como primário e secundários do I e II Ciclo também estarão bastante afectados, porque já criaram a sua expectativa de concluirem as últimas classes e passarem para outras subsequentes e de outras categorias, soube O PAÍS do seu interlocutor, que se referia, concretamente, aos estudantes da 6ª, 9ª e 12ª classes. “A certeza que esses alunos tinham de que terminariam com sucesso o ensino médio leva-os a um nível de stress muito alto.

A ansiedade e frustração de quem está a ver o seu projecto comprometido são elevadas, pelo facto de o estudante não estar muito disposto a fazer em 2021 uma coisa que projectou para esse ano”, salientou. Valendo-se, finalmente, da experiência que tem tido, quando os alunos lhe solicitam um parecer sobre as suas preocupações em relação a isso, Kintombo Pedro revelou que tem aconselhado que eles primeiro se acalmem e depois se reprogramem, criando novos programas para um futuro ainda sem data.

Para o psicólogo, é importante que os professores vão passando uma mensagem de reinvenção e adequação de um estilo e uma projecção de vida que atenda à nova realidade imposta pela Covid-19, porque fora disso, as pessoas poderão obter resultados contrários ás suas expectativas.

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