Agricultores pedem financiamento para produzir em grande escala

Os agricultores no vale do Cavaco manifestam-se capazes para assumir a proposta governamental de produção em grande escala, mas advertem para a necessidade de se criarem condições essenciais, designadamente infra-estruturais e de acesso ao financiamento

Nesta altura, a maior preocupação dos agricultores no Vale do Cavaco prende-se, fundamentalmente, com a falta de água no rio com o mesmo nome. Para os homens do campo, Benguela tem potencialidades para abraçar o desafio lançado pelo Governo Central de deixar de disponibilizar divisas do Tesouro Nacional para a importação de certos produtos e produzi-los em grande escala no país, bastando, porém, que se preste uma atenção especial ao rio, transformando-o de intermitente para permanente, com abertura regular das comportas do rio Hallo, no município do Cubal. Norberto Franco está apostado na produção de cebola, um dos produtos que entra no leque da medida governamental, e, pelo que investiu, embora não revele valores, está prestes a colher perto de 4 hectares, prevendo tirar, por cada hectares, 25 a 30 toneladas. Numa primeira fase, o produto destinar-se-á apenas ao mercado local.

O agricultor sugere que o que se pouparia na restrição de divisas podia servir para capitalizar a classe no que tange a garantir a produção, pois muitos deles se debatem com problemas de natureza financeira. “O governo prometeu financiar a agricultura, vamos lá ver se vai haver mesmo financiamento”, disse o agricultor. Konde Augusto, da Cooperativa dos Agricultores do Vale, salienta que, por esta altura, obter água para irrigação é, deveras, difícil, por conta da baixa dos lençóis freáticos. “Estamos com problemas de água, ultimamente”, revelou o agricultor, implorando, por isso, ao governo que trabalhe, no sentido de restabelecer o sistema de abastecimento regular do precioso líquido a partir do rio Hallo.

Entretanto, as autoridades no município do Cubal e alguns fazendeiros procederam já ao trabalho de desassoreamento da entrada do túnel, o que torna o problema do fornecimento de água, segundo o fazendeiro Nelito Monteiro, praticamente resolvido. Para os agricultores no vale, o escoamento de produtos não é problema, já que a agricultura é desenvolvida a escassos metros de distância da estrada nacional nº100, que liga Benguela às províncias do Norte de Angola.

Contudo, a maior dificuldade dos agricultores, nesta altura, prende-se, igualmente, com a falta de financiamento. Se o governo apostar fortemente nos agricultores, as possibilidades de se importar produtos como a cebola, por exemplo, será praticamente diminuta ou, na pior das hipóteses, nula, porquanto há muita gente com vontade de trabalhar, sublinham os agricultores da cintura verde da Catumbela, em entrevista à TV Zimbo. A referida cintura possui cerca de 3 mil hectares.

O milho e a banana são os produtos mais cultivados. Nos próximos dias, a reportagem do jornal OPAÍS vai palmilhar, de lés-a-lés, os vales de Benguela para se inteirar de como é que os agricultores se estão a acautelar face ao desafio lançado pelo Governo angolano, o de produzir mais para deixar de gastar divisas com a importação de produtos como tomate, alho, cebola, entre outros

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