e assim… Piromania política

Uma pesquisa rápida pelos dicionários mais simples leva-nos à defi nição de piromania como sendo um desejo mórbido e incontrolável de provocar incêndios, queimar ou atear fogo às coisas ou pessoas. Mesmo com os constantes apelos de que não se deve brincar com o fogo, continua a espantar a apetência com que muitos se entregam a esta vontade, independentemente das consequências que possam advir.

É preocupante a forma com que se demonstram determinados desejos, puxando como sustentáculo para estas teses, infelizmente, o mau momento económico e social que atravessamos para viabilizar uma pretensa desobediência civil. Alguns não se coíbem até mesmo de enunciar o termo ‘guerra’, com todo o peso psicológico que tem sobre a sociedade angolana que, apesar dos 18 anos de paz, ainda clama por reconciliação. Outros pregam a desobediência civil ou a paralisação parcial do país para que se remova o MPLA do poder.

O Estado de direito e democrático que procuramos construir, embora incipiente em determinados domínios, deveria servir de fundamento para que uma hipotética alteração ao poder se baseie exclusivamente naquilo que for o resultado saído das urnas. Contrariamente aos recados para acções cujas consequências seriam imprevisíveis, como já nos mostraram as várias guerras que tivemos até 2002, a velha retórica da fraude deve ser esbatida com o aprimoramento do controlo das eleições.

Deve tratar-se de uma operação que leve em conta não só a preparação, votação, contagem e divulgação do resultado, contrariamente às ameaças que mais soam a bluff sobre a existência de determinadas provas. A vontade de se querer ser vencedor deve ser a mesma de se reconhecer resultados desfavoráveis. Em caso de reivindicação, à semelhança do que ocorrera em períodos anteriores, é imperioso que se consiga trazer a público as provas e contra-provas daquilo que pensam ser fraudes ou aspectos negativos associados aos processos realizados.

Há três anos que ainda se aguarda por resultados de uma sindicância eleitoral prometida. Quase um mandato para que actas e outros documentos conheçam a luz do dia. Por isso, acredito que seria mais útil alguns sectores da sociedade civil estudarem melhor estes processos e fenómenos, abstendo-se de instigar meios violentos cujos danos poderão ser incalculáveis. Brincar com o fogo nunca foi recomendável. Aliás, os que sempre recomendam o expediente são os que primeiro a se munirem de extintores e enormes quantidades de água para não permitir que o fogo chegue aos seus aposentos.

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