É de hoje…Por Sílvio Dala

O nome de Sílvio Dala é o mais ouvido, escrito e até pronunciado nas últimas 48 horas. As circunstâncias da sua morte, em Luanda, aonde veio para uma formação, originou uma fricção entre as autoridades policiais e o Sindicato dos Médicos. Para muitos, a sua morte terá sido consequência de maus tratos sofridos depois da sua detenção, por não ter usado a máscara para se proteger da Covid 19. A Polícia, por seu lado, diz que as causas estarão associadas a um outro problema de saúde, depois deste ter caído e embatido no chão. Entre o sim e o não, a onda de indignação atingiu todos os sectores. Diversas personalidades, entre políticas, da sociedade civil, desportivas e outras repudiaram a morte, exigindo esclarecimentos sobre o sucedido. A falta de confi ança no que é dito pelas autoridades é um elemento que repetidas vezes se procura trazer à ribalta. Não é em vão que neste coro exista de tudo um pouco, até quem não se coiba de puxar a brasa para a própria sardinha. O facto de se exigir um esclarecimento não é coisa de outro mundo, principalmente quando se trata do bem vida. E as autoridades policiais, sobretudo, têm de ter a capacidade de atender urgentemente as exigências da sociedade, desde que não fi ra os marcos do Estado de Direito e Democrático, para evitar ruídos. Claro que a ocorrência de outras mortes nesta fase de pandemia, igualmente pela inexistência ou mau uso de máscaras de protecção, deixa a instituição numa posição fragilizada. O episódio que se viveu nos Estados Unidos da América, com a morte de George Floyd, fez com que um rastilho de movimentos contestatários se espalhasse por toda a América, Europa e alguns países africanos por se ter menosprezado a hipótese de que os agentes policiais poderiam ter falhado na abordagem da vítima. No nosso caso, o coro vai-se desafi nando. Depois de a sociedade civil e rostos da oposição se terem manifestado publicamente. A JMPLA, o braço juvenil do partido no poder, ‘preservando a confi ança nas instituições do Estado, apela aos órgãos competentes a aprofundarem as investigações sobre a morte do jovem médico, Sílvio Dala, para se esclarecer convenientemente à sociedade sobre as reais causas da sua morte e as consequências daí decorrentes’. É necessário que não se deixem zonas cinzentas neste caso, do mesmo modo que se espera que a sociedade esteja igualmente à altura de aceitar aquelas que venham a ser as conclusões de um possível inquérito. Ainda bem que a PGR reagiu.

leave a reply