Fazenda hortap almeja 4 mil toneladas de tomate até final de Setembro

João Carlos Barradas é considerado o maior produtor de tomate na província de Luanda. na presente safra, foram preparados 80 hectares e até ao final do mês pretende colher 4 mil toneladas de tomate, igual a 100 contentores de 40 pés

Por:Patrícia de Oliveira

Fotos de Virgílio Pinto

A paixão pelo campo surgiu há 23 anos. João Carlos já teve plantações no Cuanza Sul e em Benguela. Desde 1992 em Luanda, hoje como empresário possui 80 hectares na localidade de Calumbo destinados ao cultivo de tomate, equivalente a 80 campos de futebol. O processo para a produção do tomate começa com os viveiros. Enquanto as plantas estão a se desenvolver na estufa, os terrenos são preparados (mecanizados) para receber a plantação, a seguir colocadas as fitas (que tem a missão de regar a terra constantemente).

Após um mês, inicia o momento tão esperado: a plantação do produto que é “vilão” na mesa das famílias. O tomate é retirado da estufa e colocado na terra. As sementes são melhoradas, de origem americana e importadas de Portugal. O ciclo de duração do tomate tem muito a ver com a variedade e pode acontecer até cinco colheitas. Além do tomate, João Carlos produz hortícolas, como cebola e repolho. Na fazenda Hortap Agricultura e Pecuária Limitada, a produção do tomate começa no dia 15 de Março e estende-se até Setembro, considerados períodos próprios para o cultivo.

O sistema de irrigação utilizado é o gota- a-gota, e a variedade é denominada xuxa, que é importada da Europa. Este ano, a produção atingiu 4 mil toneladas, mais uma comparativamente ao ano anterior, aonde foram colhidas 3 mil toneladas. “Não temos como fazer produção o ano todo, por causa das condições climáticas. O surgimento de pragas e viroses, que atacam o cultivo do tomate principalmente em época de cacimbo”, explicou. No local, nos deparamos com funcionários que retiravam o tomate manualmente, com alguma agilidade, transportavam- no em caixas e baldes formando montes do produto. A metros de distância, o vermelho do fruto do tomateiro chama logo a atenção de quem visita o local. Em fase de colheita, durante o dia, 1500 caixas de tomate são colhidas. Deste número, 500 caixas são encaminhadas ao mercado, enquanto as demais são vendidas às comerciantes. Tendo em conta a qualidade do tomate, o produtor conta com um grande número de clientes e não consegue atender a demanda.

“O tomate é vendido por grupos e cada dia da semana é dirigido ao respectivo grupo, sendo uma parte da produção levado ao mercado do Km 30. Actualmente, tendo em conta o vírus do covid-19, as vendas são realizadas somente em três dias da semana, especificamente Segundas, Quartas e Sextasfeiras”, explicou. As comerciantes começam a chegar na fazenda nas primeiras horas do dia para adquirir o tomate. João Carlos disse que o tomate é comercializado em caixas de 20 quilos ao preço de 2 mil kwanzas, mas em período de escassez já foi comercializado a 14 mil kz. Nos próximos meses, poderá registar aumento dos preços, pelo facto de os agricultores já não conseguirem produzir por causa do aparecimento de pragas.

Custo de produção

No que se refere ao custo de produção do tomate, o valor investido varia consoante a meta que se pretende alcançar. Por exemplo, na presente safra foi investido um montante de 100 milhões de kwanzas. “É preciso colocar os viveiros do tomate em estufa e começar a trabalhar com antecedência para alcançar resultados satisfatórios. A outra vantagem é o facto de estar próximo do mercado, o que facilita o transporte do produto. O tomate é ocupado ainda em fase de produção”, detalhou. João Carlos contou que perdeu 12 hectares da cultura por causa da praga da tuta absoluta e mosca branca, principal vector de aparecimento de vírus.

Segundo ele, para combater as pragas é necessário que o Ministério da Agricultura faça investigações, com o intuito de apurar as principais causas. Por outro lado, é preciso ter em conta a saúde pública quando se usa vários métodos para salvaguardar a produção. “Há necessidade de se realizar um trabalho profundo, de modo a analisar ao detalhe as principais causas que provocam as pragas. A tuta absoluta já atingiu as províncias de Luanda, Benguela e Namibe. No ano passado, os técnicos fizeram levantamentos, mas até agora não obtivemos nenhuma resposta sobre o assunto”, frisou.

Dificuldades

Segundo o produtor, as principais dificuldades são o preço dos fertilizantes e o combustível. Para manter a produção até o período da colheita são necessários 800 litros de gasóleo/dia para encher 14 motobombas e o funcionamento do sistema de rega, incluindo a manutenção. “O grande calcanhar de Aquiles é a falta de energia e pretendemos instalar o sistema eléctrico para diminuir os custos de produção. Este ano, já gastamos 1500 sacos de fertilizantes, o equivalente a 75 toneladas de ureia e adubos amoniacais”, contou. A Fazenda Hortap conta com 62 trabalhadores efectivos e eventuais que são contactados somente em época de colheita ou sacha.

Este último grupo totaliza perto de 200 funcionários e são divididos por bairros localizados nas imediações, para não serem sempre as mesmas pessoas e cada trabalhador a levar algum dinheiro para família. No que diz respeito às máquinas, a empresa conta com oito tractores, três camiões, igual número de carrinha. Foi ainda comtemplada recentemente com os tractores entregue pelo governo provincial, pagando 12 por cento do valor (12 milhões de kwanzas) e posteriormente amortizar até à conclusão do custo total. O produtor acredita que o surgimento de uma unidade industrial em Luanda iria regular o preço do produto. Por outro lado, o empresário defende a necessidade de regular a produção de tomate no país. “Em Luanda, há um grupo de pequenos produtores de tomate que nesta fase chegam a colher apenas 50 caixas de tomate”, ressaltou.

Incentivos

No seu entender, o governo deveria melhorar a distribuição do crédito e fazer visitas de constatação nas plantações. O empresário contou que já deu entrada há dois meses dos documentos para cedência de crédito, mas o banco pede sempre a actualização dos papéis. Em relação ao Alívio económico, João Carlos acredita que se não existir apoio para os produtores haverá muitas dificuldades para cortar a importação de determinados produtos, pelo que a situação carece de um estudo para avaliar o impacto das decisões.

Projectos

A principal meta do empresário agrícola passa por beneficiar de um crédito. E deste modo investir mais em máquinas, fitas, fertilizantes e sistemas de rega e aumentar o número de empregos na região. Outro objectivo de João Carlos é duplicar as áreas de produção de tomate e atingir os 150 hectares de plantação de tomate no próximo ano.

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