Cegos de Caxarandanda ´sacodem´ a fome com doação de Baló Januário

O apoio alimentar acontece numa altura em que os habitantes dessa localidade de Luanda colheram pouco do trabalho agrícola, devido à estação de cacimbo, em que não há chuva

Maleca Daniel Gomes, o coordenador do bairro Aldeamento, a sede de Caxarandanda, localizado na comuna de Mumbondo, município de Quiçama, manifestou ao jornal OPAÍS a sua alegria pelo facto de uma comitiva guiada pelo músico Baló Januário ter agraciado os familiares que integram deficientes com uma cesta básica capaz de aliviar a fome, por pelo menos um mês.

“O povo aqui já estava com dificuldades de aguentar a última fase dos três meses de seca em que não se espera quase nada das lavras e a falta de comida era grande. Com esta entrega de seis quilogramas de feijão, arroz e açúcar, além de seis frascos de óleo vegetal e o mesmo número de pacotes de massa alimentar, vai-se conseguir gerir até Outubro”, disse o também representante do soba local.

Recordando que os meses de Junho, Julho e Agosto costumam a ser os de muita fome na região. Maleca Daniel assegurou que, com a recente oferta, os aldeãos de Caxarandanda vão virar os seus esforços para a pesca e a plantação de produtos típicos do período chuvoso, para que tenham alguma tranquilidade de logística alimentar no último trimestre de 2020.

O coordenador do Aldeamento informou que a distribuição das cestas básicas foi facilitada pelos doadores, que já se deram ao trabalho de arrumar a comida, em quites, antes de chegarem à sua região.

Revelou, igualmente, que o número considerável dos quites permitiu distribuir até para aqueles que, inicialmente não estavam na lista dos contemplados, sobretudo os mais idosos e aqueles moradores que possuem alguma limitação para exercer qualquer actividade produtiva, como a agricultura, pastorícia, pesca e caça.

“Mas estes já não receberam as cestas básicas, mas sim, parte dos produtos da cesta básica. Uns levaram um quilograma, um litro ou unidade de cada uma das comidas que eu já falei .

“A quantidade foi boa e até o que restou demos a outra população inicialmente não visada, sobretudo aos idosos e outros com dificuldades mais visíveis que os limita para exercerem qualquer actividade produtiva, como a agricultura, pesca, caça e a criação de gado”, referiu o responsável, tendo acrescentado que esta vontade de solidariedade também foi a pedido dos próprios cegos.

Aliás, segundo fez questão de salientar, a população de Caxarandanda tem o sentido de partilha como um factor para minimizar os problemas.

Recorde-se que, nessa região da Quiçama, existem 35 cegos no bairro Aldeamento, cerca de 10 no Invu e no Pau Ferro. O coordenador de Caxarandanda-sede justificou a imprecisão nos dados numéricos dos deficientes visuais com o facto de alguns deles terem residências alternativa fora dessas áreas.

Oferta na base do Live

Por aquilo que este jornal apurou do líder comunitário, a oferta foi mesmo da iniciativa do cantor Baló Januário, que envolveu alguns responsáveis ligados à esfera provincial. Contactado, Baló Januário esclareceu que tudo aconteceu na sequência do Live que lhe deu a partilhar o palco com o músico Socorro e o agrupamento Tunjila Twajokota.

“Quem ofereceu as cestas básicas à associação foi a Televisão Pública de Angola(TPA). Como eu sei que há cerca de 40 cegos em Caxarandanda, tive de convencer a associação dos invisuais a ir constatar ´in loco´ as dificuldades dos cegos e da comunidade, a ver em que eles podem ajudar, no futuro”, contou.

O músico informou ainda que teve um esforço adicional que o levou a angariar outros kites alimentares fora da Live da TPA, os quais adicionou nas cercas de duas toneladas que chegaram à Caxarandanda.

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