Diversidade etnolinguística musical “entra sem pedir licença” no Kubico

De Malange Robertinho, Uíge Tata Ngana e da Huíla a Banda Akapaná, o Live No Kubico deste Domingo juntou no mesmo palco artistas folclóricos de três províncias diferentes para uma única causa: apoiar a Associação Nacional dos Surdos de Angola (ANSA), que tem vindo a lutar, sobretudo, contra a inacessibilidade ao mercado de emprego doentes auditivos

A diversidade etnolinguístico- musical “invadiu”, ontem, o palco do Live No Kubico, juntando artistas de três províncias, tratando-se de Robertinho, de Malange, Tata Ngana, do Uíge e da Banda Akapaná da Huíla.

O evento começou quando eram precisamente 14 horas e 15 minutos, com abertura da Banda Acapaná. Desde o vocalista, aos instrumentistas, a banda da Huíla estava trajada de samakaka, o que demonstrava a angolanidade.

“Olye Uetchitola”, “Vondjo Ndapita” e “Kumbi Ndjenda” foram os temas que o conjunto apresentou inicialmente, para aquecer os propulsores dessa tarde de Domingo frio, apesar do sol que raiva.

Na sequência do concerto de pendor solidário, cujo destino das verbas e bens arrecadados é a Associação Nacional dos Surdos em Angola (ANSA), o representante da mesma, que falava em linguagem gestual, lamentou a inacessibilidade dos surdos no mercado de emprego e a falta de formações profissionais.

Assim, também envolvido e comovido com a causa, Robertinho, ao som da Banda Movimento, entoava “Ngongo”, “Sessa” e em seguida lembrou-se de “Joana”. Por conseguinte, a banda que não pára, por ser e estar em Movimento, deu continuidade à festa fazendo o devido acompanhamento instrumental num momento único, em que Tata N’gana e Virgílio Fire cantavam “Mbele”. Mas, por estarmos sempre a subir, apesar da Covid-19, Virgílio com o seu “Fire” acendeu a “Kazukuta Dança”, que levou “Tata Ngana” a encerrar a primeira parte do evento.

Segunda parte “mais quente”

Depois de reposto o fôlego, a Banda Akapaná, que conta com três Compacts Discs (CD’s) no mercado, entrou na segunda parte do evento mais enérgica, com “Etu Omo Tualinga”.

Subsequentemente, cantarolou “Mulher Kitandeira”, um tema que retrata a mulher mumuila e o seu quotidiano. Ainda seguiu-se, “Akulu” e “Omelengue”.

A Banda Movimento não ficou aquém da dinâmica trazida em palco pela sua homóloga sulana. Por isso, sem muito esforço vocálico, com um soprano delicadamente leve e penetrante, Robertinho, empunhando apenas o microfone, mais uma vez ao som da Movimento, em movimentos que lhe são característicos, interpretou “Kalamaxinde” e despediu-se com “Desespero”.

Tata Ngana subiu ao palco igualmente enérgico e “personificou” as canções “Mwaneto” e “Ntchaku”. Obedecendo ao alinhamento intercalado do programa, a Banda Akapaná entoou “Vondjo”, “Manguenguele” e o grande sucesso “Tchiungue”. E para fechar este episódio, actuou a Banda Movimento, Robertinho e Tata Ngana.

Encerramento

Já na recta final de mais um Live No Kubico, nesta que foi a terceira parte do evento, a Banda Akapaná, em representação da província da Huíla, e da Cultura Ovimbundu, apresentava “Mbila Yloca”, “Ucain-Uessepa”, “Kakadona” e “Elamba – Kambambi”. Ao passo que a Banda Movimento e Robertinho despediam-se com “Sanguito” e o famoso “Kakinhento”, uma vez que Tata Ngana reviveu “Linda” e “Delfina”.

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