Está tudo Lélis!

Os clientes do Banco Angolano de Investimentos acordaram ontem sobressaltados na sequência de descontos efectuados pela instituição, mormente naqueles que têm as suas contas em divisas lá domiciliadas.

Para muitos, o que se vivia ontem se parecia mais a um assalto aos bolsos por falta de comunicação. Um novo acréscimo às contas, nos tempos que correm pode ter o mesmo efeito de um tufão, a julgar pelo elevado custo de vida e as suas consequências na vida das pessoas.

O excessivo previdencialismo em que crescemos, com um Estado que oferecia desde o leite condensado à pasta de dentes, subsidiando tudo e mais alguma coisa, tornou os angolanos demasiado sensíveis a questões como pagamento de impostos e outras obrigações fiscais. Principalmente quando o retorno nem sempre se faz sentir directamente. É só olharmos para o estado das estradas e a obrigatoriedade do pagamento da taxa de circulação.

No caso do Banco Angolano de Investimentos, o que se viu ontem foi um processo mal gerido de cobrança pela manutenção das contas em moedas estrangeiras. As mensagens que caíam nos telefones dos clientes criaram uma série de especulações em torno do assunto.

Antes que a imagem do banco ficasse prejudicada, o presidente da Comissão Executiva do banco, Luís Lélis, entrou em cena. Em menos de 24 horas. Cortando assim toda a cadeia de ruído que pudesse inundar hoje os balcões da instituição.

Como diz e bem Goebbels, o propagandista do Terceiro Reich, “não falamos para dizer alguma coisa, mas para obter determinado efeito”. Quem não acreditaria num responsável máximo de um banco que viesse logo com estas palavras: ‘Enquanto Presidente da Comissão Executiva do Conselho de Administração do Banco Angolano de Investimentos, SA, assumo total responsabilidade pelos erros cometidos e asseguro que iremos devolver a totalidade dos valores debitados nas contas dos clientes (comissões, imposto de selo e imposto sobre valor acrescentado) e, consequentemente, assumir o prejuízo pela nossa ineficiência’.

A assumpção da responsabilidade em nada diminui o responsável bancário. Pelo contrário, a sua imagem e da própria instituição saem reforçadas. Seria bom se os bons exemplos fossem seguidos por outros, com ou sem máscaras.